Seria bem pior sem o auxílio emergencial

Impacto da medida não foi percebido apenas no comércio, mas também na captação recorde da poupança

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2020 | 03h00

Não apenas para as famílias, mas para a economia, é relevante o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600,00 mensais a pessoas de menor renda. É o que revela reportagem do Estadão mostrando que, com a instalação da pandemia do novo coronavírus, o comércio chegou a prever uma queda do faturamento de 13,8% entre 2019 e 2020, porcentual ora revisto para 6,7%, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

O indicador está em linha com as projeções de recuo do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, que também estão sendo revistas, para menor, pelos analistas. A diferença é que a avaliação da FecomercioSP quantifica o peso do auxílio emergencial para o consumo das famílias.

Não se justificam comemorações. Mesmo com a revisão para melhor, o faturamento do comércio deverá encolher R$ 141 bilhões entre 2019 e 2020. É um valor significativo, alto o bastante para alijar do mercado mais de 200 mil empresas varejistas. Estas, em sua quase totalidade, são companhias de pequeno porte, que não têm capital nem crédito para enfrentar uma severa diminuição de vendas. Segmentos como o de roupas e calçados, por exemplo, foram muito atingidos. Entre abril de 2019 e abril de 2020, a queda do faturamento do setor de vestuário superou 80%. Para o ano, está prevista diminuição de 25%, pois o isolamento social reduz a necessidade de substituir peças antigas por novas.

Poucos negócios preservaram vendas, como supermercados e farmácias. Nos dois casos, trata-se da venda a clientes finais de itens de primeira necessidade.

O impacto do auxílio emergencial não foi percebido apenas no comércio. Os números recordistas da captação das cadernetas de poupança são um indício de que muitos daqueles que passaram a receber essa renda extraordinária ampliaram os recursos de que querem dispor para enfrentar situações imprevistas. Em parte, esses recursos voltarão para o consumo na medida da superação da crise sanitária.

A recuperação do comércio e dos serviços em geral terá peso decisivo para a saúde econômica do País e para a oferta de emprego. Um teste virá com a reformulação, prevista para breve, dos programas de renda para as faixas mais carentes.

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