Serviços indicam lenta retomada da economia

Entre outubro e novembro, houve quedas de 1,5% nos serviços prestados às famílias, de 0,4% nos serviços de informação e comunicação e de 1,7% em outros serviços

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2020 | 04h00

A pequena variação negativa em termos dessazonalizados de 0,1% no volume de serviços prestados à economia em novembro de 2019 não deve ser vista como um recuo significativo após duas altas consecutivas observadas em setembro e em outubro do ano passado. O que ficou evidente na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que o ritmo da atividade econômica ainda é lento. Ou, como se diz na linguagem vulgar sobre a dificuldade de pôr o motor de um veículo em funcionamento, a economia demora para “pegar”.

Entre outubro e novembro, houve quedas de 1,5% nos serviços prestados às famílias, de 0,4% nos serviços de informação e comunicação e de 1,7% em outros serviços. No período, cresceram os volumes de serviços profissionais, administrativos e complementares e outros serviços.

Mais significativa é a comparação em períodos mais dilatados: o volume total de serviços cresceu 1,8% entre os meses de novembro de 2018 e de 2019 e 0,9% tanto na comparação em 12 meses como entre os primeiros 11 meses de 2018 e de 2019. A expansão ocorreu em quatro dos cinco tipos de serviços analisados.

A recuperação pouco regular dos serviços tem relação com o comportamento da indústria e com o comportamento, mais forte, do comércio varejista. Não se deve ignorar a grande dependência que os serviços têm dos setores primário e secundário da economia.

A evolução dos serviços tem, isso sim, muito que ver com a do emprego e da renda dos consumidores, bem como com os preços.

Carnes em alta, por exemplo, provocam aumento do preço das refeições, o que por sua vez provoca uma diminuição dos serviços de alimentação fora do domicílio prestados às famílias. Se a gasolina sobe, é mais difícil de prestar serviços de transporte, onerados com custos crescentes. Felizmente, melhora a situação de muitas empresas, permitindo um crescimento das contratações de serviços profissionais, administrativos e complementares, entre os quais os serviços de engenharia e de consultoria em gestão empresarial.

Com seu elevado peso relativo na economia, os serviços retratam bem as dificuldades que a economia brasileira enfrenta para alçar um voo sustentável. Esse desafio deverá continuar presente no primeiro trimestre deste ano.

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