Sinais positivos na gestão da dívida mobiliária

Juros mais baixos, prazos mais confortáveis e aplicações crescentes de estrangeiros marcaram a administração da dívida da União em janeiro de 2019

O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2019 | 04h00

Juros mais baixos, prazos mais confortáveis e aplicações crescentes dos investidores estrangeiros marcaram a administração da dívida da União em janeiro de 2019, segundo relatório do Tesouro Nacional. Houve queda do volume total da dívida devido ao resgate maciço de R$ 147,8 bilhões em papéis prefixados, repetindo o comportamento verificado em janeiro de 2018. Há concentração de vencimentos desses títulos nos inícios de ano.

A dívida mobiliária interna atingiu R$ 3,67 trilhões e, incluindo a dívida externa, o saldo total alcançou R$ 3,8 trilhões, com redução de 1,77% em relação a dezembro. Os saques líquidos foram de R$ 86 bilhões. O Tesouro Nacional não pretende reduzir a dívida, mas rolar 100% dos vencimentos ao longo do ano. 

O custo médio da dívida total em 12 meses caiu de 9,86% para 9,66% ao ano, sendo de 9,25% ao ano para a dívida interna e de 19,90% ao ano para a externa. A desvalorização do dólar em janeiro de 2019 ajudou a reduzir a dívida externa.

O porcentual da dívida vencível nos próximos 12 meses passou de 16,32% em dezembro para 15,67% em janeiro. O prazo médio da dívida total aumentou ligeiramente, de 4,11 anos em dezembro de 2018 para 4,18 anos em janeiro de 2019.

Entre os principais detentores da dívida, cresceram as participações dos fundos de previdência e dos investidores estrangeiros. Estes aumentaram suas posições de R$ 418,4 bilhões em dezembro para R$ 433,1 bilhões em janeiro, ou seja, de 11,22% para 11,80% do total. É um sinal de confiança na política econômica, em contraste com as incertezas presentes em 2018. O coordenador-geral da dívida, Luís Felipe Vital, afirma, com prudência, que “não estão claras” as tendências do mercado externo, com dúvidas relativas ao Brexit, à China e aos Estados Unidos.

No médio e longo prazos, a evolução da dívida pública dependerá do ajuste fiscal, em especial, da reforma da Previdência. No curto prazo, essa reforma não trará impacto direto, pois o déficit nominal continuará exigindo a colocação de papéis. Mas a tendência de aprovação da reforma ajudará a criar expectativas favoráveis nos investidores internos e externos. É previsível, nesse caso, queda mais acentuada do custo da dívida, que ainda é substancialmente mais elevado que o da taxa básica de juros de 6,5% ao ano.

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