Sinal amargo e contrastante da demanda

A cautela com o consumo decorre das incertezas quanto à manutenção do emprego e da renda

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2020 | 03h00

Em contraste com indicadores promissores do varejo e até da indústria, a Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) de julho mostra recuo da perspectiva de compra pelo quarto mês consecutivo, com a atenuante de que o ritmo de queda perdeu força. Dadas as alterações das necessidades dos consumidores após a irrupção da pandemia do novo coronavírus, os dados do levantamento devem ser vistos com cautela.

O ICF atingiu no mês o menor nível histórico, de 66,1 pontos, 26,4% inferior ao de julho de 2019, mais afetado pelos itens emprego atual e perspectiva profissional, que estão nos níveis mais baixos da série. O índice é muito inferior ao nível de satisfação de 100 pontos, sugerindo que há um bom caminho pela frente até que venha uma recuperação sustentável.

As famílias estão em plena mudança de hábitos. Com a maior permanência em casa, os orçamentos domésticos são mais pressionados pela alta do consumo de energia, água, gás e internet. Em vez de despesas com alimentação fora de casa, cresceram gastos em supermercados, mas também em pequenos estabelecimentos e mercadinhos de bairro, mostrou reportagem do Estadão citando o Instituto Locomotiva.

Indiretamente, é o que se vê quando o ICF revela que chegou a apenas 39 pontos o item momento para duráveis. Ou seja, é reduzida a demanda de artigos da linha branca. Mas cresce a procura por computadores para as atividades de home office.

Entre as transformações no comportamento dos consumidores, algumas podem ter vindo para ficar, como a diminuição das compras por impulso e o aumento do controle sobre os gastos no domicílio, com menos desperdício e mais pesquisa de preços.

A maior insatisfação (75,7%) com a situação atual vem das famílias com renda superior a 10 salários mínimos, enquanto 64,2% das famílias com renda inferior a 10 salários estão insatisfeitas. Mas piorou, em relação a 2019, a situação dos que ganham menos. Em termos geográficos, agravou-se a situação do Centro-Oeste e melhorou a do Sul.

A cautela com o consumo decorre das incertezas quanto à manutenção do emprego e da renda, bem como das perspectivas profissionais, segundo os analistas da CNC.

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