Sobe a confiança do empresariado, cai a incerteza

Mesmo ante a perspectiva de superação dos obstáculos causados pela crise sanitária, restam pontos de estresse, como a aceleração inflacionária, a crise energética ou a instabilidade política

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2021 | 03h00

Apesar dos desmandos em Brasília, à medida que a imunização avança e as taxas de contágio e mortalidade caem, a confiança do Brasil que produz aumenta. Pelo quarto mês consecutivo, o Índice de Confiança Empresarial do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV registrou alta. Pela primeira vez, os quatro grandes setores – Indústria, Serviços, Comércio e Construção – atingiram índices superiores à pré-pandemia. Em julho, o índice chegou a 101,9 pontos, o maior nível desde 2013.

Em que pese a alta geral, os resultados são heterogêneos. Até então, só a Indústria atingira níveis superiores à pré-pandemia, mas o setor continua enfrentando problemas de abastecimento de insumos. A confiança do Comércio apresentou avaliações muito favoráveis em segmentos como Materiais de Construção ou Veículos, e mais fracas em Supermercados. No Setor de Serviços o otimismo em relação aos próximos meses voltou em alguns dos segmentos mais afetados, como Alojamento e Alimentação, mas a percepção sobre a situação atual segue fraca.

No agregado, houve melhora nos dois indicadores de tempo, a Situação Atual e as Expectativas para o Futuro Próximo, com destaque para a alta de 3 pontos neste último. Ambos atingiram seus níveis mais altos desde 2013.

Mas materializar essa confiança em estabilidade ainda demandará esforços. Em julho, após uma alta no mês anterior, o Indicador de Incerteza Econômica do Ibre recuou 3 pontos, para 119,3 pontos, com resultados favoráveis em ambos os seus componentes – Mídia e Expectativas. Em 2020, entre março e dezembro, a média foi de 164,3 pontos, chegando a 210,5 pontos em abril. O nível atual, contudo, segue elevado, acima da média de 115 pontos entre 2015 e 2019.

A economista do Ibre Anna Carolina Gouveia estima que em até dois meses seja possível retornar aos níveis pré-covid. Mas ainda não há previsão para uma queda a níveis “confortáveis” para o investimento das empresas e o consumo das famílias. Vale lembrar que o mercado de trabalho segue fragilizado e o emprego ainda não deu sinais de recuperação robusta. Mesmo ante a perspectiva de superação dos obstáculos causados pela crise sanitária, restam pontos de estresse, como a aceleração inflacionária, a crise energética ou a instabilidade política.

O setor produtivo está confiante, mas para que a retomada seja sustentável, Brasília precisa fazer a sua parte. 

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