Títulos públicos atraem pequenos investidores

A procura por papéis cresceu, indicando confiança dos investidores. Os fundos de investimento e as instituições foram os grupos que mais ampliaram sua participação entre os principais detentores da dívida em agosto

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2019 | 06h45

Com a queda da taxa básica de juros para 5,5% ao ano, a menor da história, tende a crescer a procura de títulos públicos oferecidos a pequenos aplicadores no programa Tesouro Direto. O mês de agosto, com 20,7 mil novos investidores ativos e 224 mil novos investidores cadastrados, marcou um novo recorde na aplicação.

Esta é utilizada por 1,13 milhão de pessoas, chegando a 4,8 milhões o número de cadastrados. Embora seu impacto seja pequeno para a administração da dívida – o valor total aplicado no Tesouro Direto é de R$ 58 bilhões, dos quais R$ 2 bilhões em agosto –, trata-se de uma linha importante para promover a educação financeira dos aplicadores e que tende a crescer muito no longo prazo.

Em agosto, a dívida pública federal aumentou R$ 81 bilhões (2,03%) em relação a julho e atingiu R$ 4,07 trilhões. A alta se deveu a emissões de quase R$ 40 bilhões, em especial em prefixados e títulos corrigidos pela taxa Selic, à apropriação de juros de R$ 27 bilhões e à valorização do dólar.

A procura por papéis cresceu, indicando confiança dos investidores. Os fundos de investimento e as instituições foram os grupos que mais ampliaram sua participação entre os principais detentores da dívida em agosto, com acréscimos de R$ 90 bilhões e de R$ 23,4 bilhões, respectivamente, para 27,15% e 22,93% do total, enquanto caía R$ 53,4 bilhões, para 24,16%, o estoque detido por entidades de Previdência.

O custo médio do estoque da dívida nos últimos 12 meses mostrou redução de 8,66% ao ano, em julho, para 8,54% ao ano, em agosto. Isso significa um alívio nos custos do Tesouro, embora nas últimas semanas, em razão das incertezas globais, tenha havido alguma pressão sobre os juros. Essa pressão também aparece no porcentual de vencimentos para os próximos 12 meses, que passou, entre julho e agosto, de 16,97% para 18,26% do total.

Se as condições econômicas permitirem que o Banco Central continue a reduzir a taxa básica, as contas públicas serão beneficiadas e será menos difícil de controlar a evolução da dívida pública total, hoje de cerca de 77% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa proporção é muito superior à dívida média dos países emergentes, da ordem de 50% do PIB.

A reforma da Previdência, à espera da aprovação final pelo Senado, ajudará o processo de controle e posterior redução da relação entre dívida e PIB.

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