Um indicador favorável do varejo

Vendas a varejo dessazonalizadas no País cresceram 1,3% entre maio e junho

O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2019 | 04h00

Após seis meses consecutivos de retração, cresceram 1,3% entre maio e junho as vendas a varejo dessazonalizadas no Brasil, segundo o Indicador Movimento do Comércio, da Boa Vista/SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Também houve aumento das vendas, pelo mesmo critério, entre os primeiros semestres de 2018 e de 2019, mas na comparação entre os meses de junho deste ano e do ano passado ainda há queda de 1,7%.

Não se pode prever que os bons resultados alcançados em junho tendam a se repetir ao longo dos próximos meses, alerta a consultoria Boa Vista. Segundo os especialistas da Boa Vista, “ainda é cedo para falar em retomada das vendas do comércio”.

Eles observam que “fatores como alto nível de desemprego e subutilização da mão de obra, menor confiança e tímido crescimento de renda continuam sendo os principais entraves para uma evolução mais robusta do setor”. A isso se deve acrescentar o alto custo do crédito, que limita uma retomada duradoura do varejo.

Além disso, o principal motivo para uma expectativa favorável dos agentes econômicos para o comportamento do comércio varejista nos próximos meses – a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) – ainda não está definido. A intensidade da melhora dependerá do volume de recursos do FGTS que for efetivamente liberado. A “injeção de ânimo” esperada pelos economistas da Boa Vista decorrente da liberação do FGTS poderá, em parte, ficar frustrada.

Os indicadores da consultoria revelaram que o crescimento mensal das vendas foi generalizado, com destaque para móveis e eletrodomésticos, seguindo-se combustíveis e lubrificantes e tecidos, vestuário e calçados e supermercados.

A base de comparação é um dos fatores que prejudicam avaliações mais otimistas, pois junho de 2018 foi um período afetado pela greve dos caminhoneiros, que repercutiu sobre toda a economia.

Os indicadores da Boa Vista representam, portanto, só um pequeno alento numa conjuntura ainda muito difícil, em que as perspectivas para a recuperação da produção, do emprego e da renda são incertas. É fato que a inadimplência caiu, o que mostra melhor situação do consumidor, mas a recuperação lenta da economia afeta todos os setores de atividade, inclusive o comércio varejista.

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