Um leilão de energia melhor que o esperado

A maior usina contratada foi a de Barcarena, no Pará, movida a gás, que será assumida por um consórcio norueguês e americano

O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2019 | 04h00

Se há uma iniciativa em que o governo Bolsonaro vem obtendo excelentes resultados, este é o caso dos leilões de infraestrutura, entre os quais os de energia, como o promovido há pouco pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Trata-se do Leilão de Geração A-6, que movimentou R$ 44 bilhões em contratos e deverá assegurar investimentos de R$ 11 bilhões para aumentar o fornecimento de eletricidade por 20 anos a 30 anos, a partir de 2025. A maior usina contratada foi a de Barcarena, no Pará, movida a gás, que será assumida por um consórcio norueguês (Golar) e americano (fundo Stopeak e Evolution Power Plants).

Os projetos negociados vão propiciar oferta adicional de 1.702,5 MW médios de garantia física e de 2.979,1 MW de potência instalada, sabendo da diferença que há entre a potência contratada e a energia efetiva produzida. O preço médio da energia que será oferecida pelas 91 empresas vencedoras do certame A-6 foi de R$ 176,09 por MWh, o que significa um deságio de 39,5% em relação aos preços-teto estabelecidos pela Aneel.

Embora nem todos os empreendimentos tenham despertado interesse, os montantes do leilão superaram em muito a expectativa das autoridades. Foram contratados 27 projetos hidrelétricos, entre eles usinas, pequenas centrais (PCHs) e centrais geradoras, 44 usinas eólicas e 11 usinas solares fotovoltaicas, além de 9 usinas térmicas, das quais 6 movidas a biomassa e 3 movidas a gás.

O leilão permitirá reduzir o custo da energia para distribuidoras e consumidores finais. O diretor-geral da Aneel, André Pepitone, fala numa “nova realidade” com “menos subsídios cruzados e cada fonte de energia sendo competitiva”.

Com o certame, evidencia-se a melhor distribuição geográfica da oferta de energia: 26 projetos serão instalados na Bahia, 14 no Rio Grande do Norte e 11 em Santa Catarina.

Entre as distribuidoras mais interessadas na energia nova oferecida estão a Light e a Cemig, num sinal de confiança na retomada da economia e na demanda de energia. O presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales, considerou o leilão agressivo e muito competitivo.

O êxito do leilão prenuncia bons ventos para o esperado programa de privatização de distribuidoras estaduais, que trará benefícios fiscais

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