Um problema a mais para o comércio exterior

Os preços dos produtos exportados estão caindo mais rapidamente do que os preços dos itens importados

O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2019 | 04h00

Ao mesmo tempo que o cenário internacional apresenta sinais mais desafiantes, com o agravamento das relações entre os Estados Unidos e a China e a perspectiva de diminuição do ritmo de crescimento econômico, o Brasil enfrenta um problema a mais para manter o desenvolvimento do comércio exterior: a piora dos termos de troca. Os preços dos produtos exportados estão caindo mais rapidamente do que os preços dos itens importados. Esse fato ajuda a explicar o enfraquecimento da balança comercial do Brasil neste ano.

Entre janeiro e maio, o Brasil exportou US$ 93,5 bilhões e importou US$ 70,7 bilhões. O superávit comercial diminuiu US$ 1,4 bilhão em relação a igual período do ano passado, alcançando US$ 22,8 bilhões neste início de 2019. A corrente de comércio cedeu 0,3% na comparação entre os primeiros cinco meses de 2018 e de 2019.

O esforço feito para exportar um volume maior de bens não vem sendo compensado por uma melhora correspondente dos indicadores do comércio externo, devido à deterioração das relações de troca com o exterior.

As quantidades exportadas em abril aumentaram 5,3%, lideradas por produtos semimanufaturados (+13,5%), seguindo-se os básicos com 9,2% e os manufaturados com 2,6%. As quantidades importadas cresceram menos: 3,6% no total.

O problema é que, enquanto os preços dos produtos exportados caíram 5,2% entre abril de 2018 e abril de 2019, os preços dos importados diminuíram menos (4,7%), em igual período. Embora a diferença porcentual seja pequena (-0,5 ponto de porcentagem), como mostraram dados calculados pela consultoria LCA, cabe lembrar que este é um complicador a mais num quadro já bastante difícil.

A atividade exportadora inclui-se entre as que mais podem contribuir para o ritmo da atividade econômica num momento de grandes incertezas, como o atual.

No tocante aos termos de troca, há pouco a fazer, pois muitos preços dependem das cotações das bolsas globais e outros são influenciados pela concorrência e pelo vigor da demanda nos países importadores. O que o Brasil pode fazer é reduzir os custos de exportação, tanto de natureza fiscal e burocrática como decorrentes da oferta precária de infraestrutura, que agrava os ônus de logística.

Tudo o que sabemos sobre:
economiacomércio exterior

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.