Uma queda previsível do saldo comercial

Ruim seria a repetição de saldos tão pouco expressivos nos próximos meses

Editorial Econômico, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2019 | 05h00

O superávit do comércio exterior (diferença entre exportações e importações) de US$ 2,2 bilhões em janeiro de 2019 caiu a um terço do saldo de US$ 6,6 bilhões observado em dezembro e também foi inferior ao de US$ 2,8 bilhões registrado em janeiro de 2018. É um resultado fraco, mas, de certa forma, previsível, pois não fugiu ao padrão histórico sazonal – janeiro é um dos piores meses para o comércio exterior. Ruim seria a repetição de saldos tão pouco expressivos nos próximos meses, pois o equilíbrio das contas cambiais tem no superávit comercial seu principal componente.

O comportamento das exportações foi muito irregular: a média diária de US$ 844,5 milhões superou em 9,1% a de janeiro do ano passado, mas foi inferior em 13,6% à de dezembro de 2018, que atingiu US$ 977,8 milhões. As exportações de produtos manufaturados em janeiro foram muito dependentes de um único item – plataformas de exploração de petróleo.

O comportamento das importações foi um pouco melhor: a média diária de US$ 744,8 milhões superou em pouco mais de 15% tanto a de dezembro como a de janeiro de 2018, segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia. Mas também foi influenciado pelas plataformas de petróleo, que afetaram os dados de importações ainda mais do que o de exportações.

O comércio exterior de janeiro sofreu grande influência do intercâmbio com a Ásia e com a América do Sul. A participação das vendas para a China nas transações totais aumentou de 19,8% em janeiro de 2018 para 21,9% em janeiro de 2019, enquanto cresceram, em igual período, de 29,8% para 34,2% as vendas para a Ásia.

Já o peso das exportações para a América do Sul caiu de 17,1% para 12,1% em igual período, devido à queda das vendas para a Argentina (em especial, de automóveis, veículos de carga e autopeças) e para outros países do Mercosul.

Nos últimos 12 meses, até janeiro, as exportações foram de US$ 241,4 bilhões e as importações, de US$ 183,4 bilhões, deixando um saldo comercial de US$ 58 bilhões, bem inferior ao saldo de US$ 67 bilhões registrado nos 12 meses anteriores. Uma nova queda do superávit é prevista para este ano, mas dependerá do ritmo da atividade econômica. Crescimento mais acelerado da economia torna muito provável um novo avanço das importações.

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