Varejo fraco compromete a retomada

Confederação Nacional do Comércio reduziu a estimativa de crescimento do setor de 5,2% para 4,9% em 2019

O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2019 | 04h00

Em março, o ritmo de atividade do comércio varejista foi fraco o bastante para comprometer o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre e para reduzir as projeções de avanço do setor em 2019. Os números divulgados na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram menores que os previstos pela maioria dos especialistas e algumas indicações relativas a abril, como os dados de comercialização de veículos e de vendas da Páscoa, são pouco animadoras quanto à dinâmica do varejo no trimestre em curso.

Segundo a PMC, as vendas do varejo restrito evoluíram 0,3% entre fevereiro e março, crescendo 1,1% no varejo ampliado, que inclui a comercialização de veículos, partes e peças e materiais de construção. Pelo critério de média móvel trimestral, também houve avanço de 0,3% no varejo restrito e de 0,5% no varejo ampliado. Mas as altas foram mal recebidas pelos analistas e pelos técnicos do IBGE. Isabella Nunes, gerente da PMC, notou que “os indicadores de tendência mostram trajetória de desaceleração do varejo”.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) reduziu a estimativa de crescimento do setor de 5,2% para 4,9% em 2019, em decorrência do “travamento do mercado de trabalho”. Juros em alta fazem piorar as perspectivas para o comércio, enfatizou o economista Fabio Bentes, da CNC.

Em relação a março de 2018, o varejo ampliado caiu 3,4% e o varejo restrito diminuiu 4,5%. A alta dos preços de alimentos foi determinante para a queda de 5,7% na mesma base de comparação do item hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que pesou 60% no resultado geral do varejo. Também foram muito elevadas as quedas nos itens combustíveis e lubrificantes (-4,3%), móveis e eletrodomésticos (-4,8%), tecidos, vestuário e calçados (-5,7%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-36,7%).

Embora o peso do varejo no PIB seja inferior a 10%, os dados da PMC levaram as consultorias econômicas a reduzir as projeções do PIB não só para o primeiro trimestre, mas para este ano. A volta aos trilhos da inflação poderá ajudar o varejo, mas, sem contar com a confiança das famílias, que parecem ter de sacar recursos poupados para consumir, as perspectivas do varejo não são animadoras.

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