Varejo reflete a fraqueza da economia

O volume de vendas do comércio varejista nacional ficou estável entre janeiro e fevereiro de 2019

O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2019 | 04h00

Entre janeiro e fevereiro de 2019, o volume de vendas do comércio varejista nacional ficou estável, na série livre de influências sazonais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se de um resultado sofrível, embora as vendas tenham crescido 3,9% em relação a fevereiro de 2018. Como o número de dias úteis de fevereiro de 2019 foi superior ao de igual mês do ano passado, o crescimento efetivo em 12 meses é estimado em apenas 1,6% pela economista Isabela Tavares, da Tendências Consultoria. É um avanço inexpressivo.

Entre os indicadores da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, destaca-se o índice de média móvel trimestral, que saiu do campo positivo registrado em janeiro (+0,5% em relação ao trimestre móvel encerrado em dezembro) para o campo negativo observado em fevereiro (-0,6%).

Evidencia-se o comportamento oscilante das vendas varejistas, refletindo o enorme desemprego que atinge mais de 13 milhões de pessoas, sem que haja expectativas fundamentadas sobre a reativação da demanda de mão de obra.

O comportamento do comércio varejista restrito é ainda mais fraco do que o do comércio varejista ampliado, em que se incorporam os dados sobre as vendas de veículos, partes e peças e materiais de construção.

Na comparação entre janeiro e fevereiro deste ano, o varejo restrito foi influenciado positivamente pelos itens tecidos, vestuário e calçados (+4,4%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (+1%); livros, jornais, revistas e papelaria (+0,2%); e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+0,1%). Mas o pior resultado, na mesma base de comparação, foi do item hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,7%) e combustíveis e lubrificantes (-0,9%). A alta dos preços de alimentos e de combustíveis foi decisiva para o enfraquecimento do consumo desses itens.

O IBGE atribui a um ligeiro alívio nos preços dos medicamentos a melhora do comportamento das vendas das farmácias em fevereiro. Se à expansão visível das redes de medicamentos corresponder um aumento da concorrência, poderá haver algum benefício para o consumidor.

Os analistas prognosticam mais um ano difícil para o varejo. Nem as previsões de curto prazo apontam para melhoria.

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