Venda de carne para a China pressiona o IPCA

Resultado do IPCA de novembro provocou uma revisão, para maior, das expectativas dos analistas para a inflação oficial de 2019 e de 2020

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2019 | 04h00

O aumento de 8,09% nos preços das carnes respondeu por 0,22 ponto porcentual (ou 45%) da elevação de 0,51% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro, maior alta para o mês desde 2015. Também subiram as tarifas de energia elétrica e os preços das loterias federais, mas o peso dominante das carnes também influenciou para mais o custo da alimentação no domicílio e até fora do domicílio, pois subiu o preço do item lanche. A alta do preço das carnes foi atribuída ao aumento das exportações de itens proteicos para a China e à elevação das cotações do dólar.

O resultado do IPCA de novembro provocou uma revisão, para maior, das expectativas dos analistas para a inflação oficial de 2019 e de 2020. Consultorias econômicas preveem que o IPCA poderá superar 0,7% no mês em curso, aproximando-se ou superando os 3,8% em termos anuais, mas bem abaixo dos 4,25% que representam o centro da meta de inflação. Se a alta se confirmar, o IPCA ficará nos intervalos admitidos, que preveem variação, para cima ou para baixo, não superior a 1,5 ponto porcentual em relação ao centro da meta.

A alta de preços em novembro não provocou maiores apreensões. Os núcleos de inflação, que excluem os itens com maior volatilidade, apontam para elevação de 3% em 12 meses. Não há unanimidade na previsão de analistas de que a alta das carnes deve persistir no curto prazo. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, apressou-se em afirmar que os preços da carne subiram, mas a oferta já está crescendo e nos primeiros dias de dezembro houve queda de preços.

O que está afastada, por enquanto, é uma reversão de expectativas sobre o comportamento da inflação. Não se deve confundir altas eventuais de preços com tendências de inflação. Estas não mudaram, pois a economia opera com elevada ociosidade e o Banco Central tem ancorado as expectativas de inflação.

Critérios mais sofisticados de previsão inflacionária, como a avaliação dos núcleos por médias aparadas com suavização, chegam a apontar que predomina a tendência de inflação cadente. Resta em questão o impacto sobre os preços de uma reativação mais forte do ritmo da atividade econômica. Neste caso, a inflação poderá ficar mais contida até que haja recuperação firme do emprego e da renda das famílias.

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