Venda de Pasadena põe fim a uma era

Comprada em 2006, Pasadena se transformou em escândalo envolvendo a presidente Dilma Rousseff

O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2019 | 04h00

A venda da refinaria de Pasadena, no Estado americano do Texas, pela Petrobrás para a Chevron, concluída na quarta-feira, por US$ 467 milhões – sendo US$ 350 milhões pelo valor das ações e US$ 117 milhões de capital de giro –, é mais que um importante negócio para reduzir o endividamento da estatal. Simboliza o fim de uma era de má gestão, corrupção e de pretensões falsas de grandeza. Sob o pretexto de reforçar a posição internacional da Petrobrás, o governo petista a levou a adquirir a refinaria americana, além de outra em Okinawa, no Japão (também já vendida), enquanto duas refinarias estavam projetadas no Brasil.

Comprada em 2006, Pasadena se transformou em escândalo, envolvendo a presidente Dilma Rousseff, que, na época do negócio, presidia o conselho da Petrobrás. Para safar-se da responsabilidade pela autorização da compra, Dilma alegou que a aprovara com base num parecer “técnica e juridicamente falho”. Disse, também, que não teria autorizado o negócio se tivesse tido acesso a todos os estudos sobre a operação. O fato é que a Petrobrás pagou por Pasadena nada menos do que US$ 1,249 bilhão, só ficando com 50% da refinaria, tendo adquirido a participação da belga Astra Oil.

Numa conta simples, verifica-se que a Petrobrás perdeu US$ 782 milhões, ou seja, mais da metade do que pagou originalmente. Convém lembrar que as instalações da refinaria vinham sofrendo contínuo desgaste, tanto assim que, em janeiro, o valor acertado para sua venda era bem maior, chegando a US$ 562 milhões, US$ 95 milhões mais que o efetivamente pago pela Chevron.

Como mostraram as investigações conduzidas no âmbito da Operação Lava Jato, a aquisição de Pasadena foi só um elo numa ampla cadeia de corrupção e má gestão, felizmente já rompida. No governo de Michel Temer, a Petrobrás ingressou em nova era, na qual a ênfase recai sobre a venda de ativos, estando prevista a transferência para a iniciativa privada de seis refinarias, além de participação em outras empresas e em campos de petróleo.

Paralelamente, como anunciou seu atual presidente, Roberto Castello Branco, a Petrobrás vai concentrar investimentos na exploração e produção de petróleo, áreas para as quais seu plano de negócios prevê investimentos de R$ 89,1 bilhões entre 2019 e 2023. Desse modo, a estatal cumpre o papel para o qual foi criada.

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