Venda em alta faz estoque de residências cair

Nos 12 meses terminados em junho, foram vendidas 261.401 unidades novas em todo o País, número 34,4% maior que no período anterior

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2021 | 03h00

As vendas de imóveis continuam a crescer a um ritmo muito mais intenso do que o observado em outros segmentos da economia. Nos 12 meses terminados em junho, foram vendidas 261.401 unidades novas em todo o País, de acordo com balanço divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Esse número é 34,4% maior do que o acumulado até junho do ano passado. Os lançamentos também crescem com bom ritmo. Nos 12 meses até junho, foram lançados 237.157 apartamentos e casas no País, com aumento de 23% sobre o total lançado nos 12 meses terminados em junho do ano passado.

Embora indicações claras do dinamismo de um segmento de grande impacto sobre diferentes setores da economia (cimento, aço e outros itens essenciais da indústria de construção) e sobre o nível de emprego, esses dois indicadores mostram um descompasso que não é recente. Há tempos as vendas crescem mais do que os lançamentos. A consequência óbvia é que o estoque do setor de construção civil de residências está encolhendo.

No fim do primeiro trimestre de 2020, por exemplo, a oferta final de unidades novas em todo o País alcançava 206.633 residências. Esse número vem caindo a cada trimestre. A indústria de construção fechou o primeiro trimestre deste ano com 184.282 unidades em estoque, número 10,8% menor do que o de um ano antes. No fim do segundo trimestre, tinha caído para 180.007, 2,3% menos do que o dos três meses anteriores.

“Estamos vendendo muito bem, não temos do que reclamar”, reconhece o presidente da Cbic, José Carlos Martins. “O mercado é comprador.”

Não há sinais de que o quadro possa se modificar nos próximos meses. Juros baixos para financiamentos de pessoas físicas, na faixa de 8% ao ano, continuam convidativos e não se espera alta espetacular até o fim do ano. “Não existe a expectativa do setor de que a taxa de juros, mesmo nos juros futuros, atinja dois dígitos”, segundo Martins.

Para ele, o que pode afetar o setor é o descasamento entre o preço do imóvel e o dos insumos. “Esse medo faz com que muitas empresas reduzam seus lançamentos e, assim, nosso mercado tende a acelerar os preços de venda na sequência”, avalia o presidente da Cbic. No ritmo atual de vendas, o estoque é suficiente para abastecer o mercado por 8,3 meses.

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