Batalha Naval do Riachuelo, 155 anos de um legado

Uma nova guerra está tirando a vida de bravos brasileiros. Mas a vitória será nossa

Ilques Barbosa Junior, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2020 | 03h00

A Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) deixou um legado de união, solidariedade e superação aos brasileiros, com plena mobilização da nossa sociedade e emprego das Forças Armadas na defesa dos interesses nacionais e, sobretudo, de contribuição para a paz com os países sul-americanos.

Na campanha naval, enfrentamos uma Marinha preparada para o ambiente fluvial, com vantagens no apoio logístico e de fogo de terra. A Batalha Naval do Riachuelo, evento decisivo, ocorrida em 11 de junho de 1865, foi marcada pela bravura de marinheiros e fuzileiros navais que, incentivados pelos célebres sinais de Barroso – “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever” e “Sustentar o fogo, que a vitória é nossa” –, superaram adversidades de toda ordem, muitos deixando sua vida em combate. Por conta desse episódio, em 11 de junho celebramos a Data Magna da Marinha.

Com o legado de Riachuelo, a Marinha do Brasil vem crescendo e se desenvolvendo ao longo do tempo e das gerações. Estamos presentes na Amazônia Azul, conceito político-estratégico que envolve 22 mil km de vias fluviais e 5,7 milhões km2 de águas oceânicas sob jurisdição brasileira. Uma imensa área com riquezas e potencialidades contempladas nas vertentes da soberania, econômica, científica e ambiental, de onde mais de 90% do petróleo e gás são extraídos e em que trafega quase a totalidade do nosso comércio exterior. Importantes projetos de pesquisa sobre biodiversidade, biotecnologia, energia alternativa, recursos vivos e minerais coexistem com 920 mil km2 de áreas marítimas sob proteção ambiental, marca do desenvolvimento sustentável que caracteriza o Brasil como um dos líderes mundiais em iniciativas para a preservação dos oceanos.

Integrada a diversos setores da sociedade e suas respectivas instituições, a Marinha do Brasil atua nas quatro vertentes da Amazônia Azul, em conformidade com suas atribuições constitucionais e legais: defender a Pátria, salvaguardar a vida humana no mar, promover a segurança da navegação, combater a poluição, a pirataria e a pesca ilegal, preservar o meio ambiente e contribuir para fortalecer a presença do Estado, levando assistência de saúde e social a lugares longínquos do Pantanal e da Amazônia. Ações que contribuem para o desenvolvimento nacional e, juntamente com as demais Forças Armadas e outras instituições, se contrapõem a ameaças à soberania nacional derivadas de iniciativas contrárias aos nossos interesses ou, ainda, de atividades ilícitas e predatórias ou de desastres naturais.

A participação no Programa Antártico Brasileiro, com apoio logístico e operacional, calcados numa gestão interministerial coordenada pela Autoridade Marítima, garante a participação estratégica do Brasil nas discussões sobre o presente e o futuro do continente gelado, além de contribuir com pesquisas científicas relevantes para o País e o planeta.

A Marinha busca constante desenvolvimento da capacidade operacional, por meio de programas estratégicos: o Programa de Construção do Núcleo do Poder Naval, com destaque para o desenvolvimento de submarinos e de fragatas Tamandaré; o Programa de Recuperação da Capacidade Operacional Plena para os meios operativos; o Programa de Ampliação da Capacidade de Apoio Logístico; o Desenvolvimento da Mentalidade Marítima, destacando a integração de setores e atividades que fomentam a Economia Azul; o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, que visa a monitorar e controlar, integradamente, as Águas Jurisdicionais Brasileiras e as áreas internacionais de responsabilidade para operações de socorro e salvamento.

O momento atual envolve nova dimensão e imensos desafios, demandando quebra de paradigmas de atuação, tanto no cenário político-estratégico internacional como nacional.

Desde o início da pandemia do coronavírus, com serenidade e firmeza a Marinha atua sob diretrizes do Ministério da Defesa, coordenada com as demais Forças Armadas, em consonância com autoridades federais, estaduais e municipais, em amplitude de ações que abrangem apoio à saúde, desinfecção de áreas públicas, doação de alimentos e de sangue, transporte logístico e confecção de refeições, dentre outros, sintonizada no esforço nacional. Uma nova guerra que tira a vida de bravos brasileiros e deixa graves efeitos, nas esferas econômica, sanitária e social.

Neste 11 junho, as cerimônias militares dão lugar à continuação do combate. Marinheiros e fuzileiros, homens e mulheres da Marinha saúdam seus concidadãos com o espírito fomentado pelo almirante Barroso, guarda-marinha João Guilherme Greenhalgh e imperial marinheiro Marcílio Dias, com trabalho diuturno e dedicação no cumprimento da missão.

Tormentas sempre passam, seguiremos navegando com proa firme. Vamos sustentar o fogo, pois a vitória será nossa, de todos os brasileiros.

E a Marinha, como ontem, hoje e sempre, consoante com a convicção de que no mar se encontram as bases da sobrevivência e prosperidade do País, mantém no passadiço o listel “tudo pela Pátria!”.

COMANDANTE DA MARINHA DO BRASIL

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