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Para reabrir as escolas em 2021 é preciso agir agora

São muitos os desafios para a volta de crianças e adolescentes, mas é preciso enfrentá-los

Angela Dannemann e Mariana Luz, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2020 | 03h00

Com a data da posse dos eleitos no último pleito municipal chegando, é hora de focar as atenções na evolução da pandemia e planejar uma reabertura gradual e controlada das escolas. As novas gestões de prefeitos e secretários precisarão dar prioridade ao alinhamento de diretrizes para a reabertura, em busca de reduzir as desigualdades no acesso à educação.

Somos o país que há mais tempo está com escolas fechadas por causa da pandemia. O afastamento do ambiente escolar por período prolongado deixará marcas profundas no desenvolvimento dos estudantes, que precisarão ser recuperadas pelas redes de ensino no processo de aprendizagem. Esse debate passa por formato, currículo, habilidades prioritárias e investimentos para o retorno.

No curtíssimo prazo, é urgente que o Brasil construa uma retomada das aulas presenciais – sob pena de os prejuízos à educação de crianças e adolescentes se prolongarem indefinidamente. Há estudos e recomendações com protocolos que garantem a proteção de estudantes, profissionais e famílias.

Em 2020, quase 30% dos municípios tiveram seus prefeitos reeleitos. Eles conhecem a máquina pública e provavelmente já têm quadros técnicos acertados para o secretariado. Isso poderá ser determinante para a coordenação política na condução do processo, enfrentando e resolvendo condições prévias de infraestrutura inadequada.

Para os 70% de novos mandatários, o desafio é a celeridade para o aprendizado, o planejamento e a execução desse plano como prioridade. Para colaborar, a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), por intermédio da plataforma Conviva, elaborou o Memorial de Gestão, que informa a situação da educação para os novos secretários e oferece a ferramenta Agenda dos 100 Primeiros Dias. Além disso, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com o apoio da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, preparou um estudo que revela os custos financeiros para a reabertura das creches e pré-escolas dentro dos parâmetros de segurança sanitária, recurso que pode colaborar para a discussão da retomada das atividades escolares.

Não basta, no entanto, discutir o momento e a viabilidade, é necessário saber a forma como se dará e será comunicada essa reabertura. As famílias e a sociedade precisam estar bem informadas para acompanhar esse processo e tomar decisões a respeito de seus filhos e filhas com segurança.

Experiências bem-sucedidas pelo mundo implementaram medidas consistentes e alinhadas às especificidades dos territórios e das escolas, sustentando reaberturas por etapas a partir de uma curva de casos estabilizada ou decrescente. À medida que a população ia sendo informada e constatava o êxito das ações, a insegurança se atenuava. Tais achados compõem o estudo realizado pelo Vozes da Educação com 20 países que adotaram políticas específicas para profissionais de educação pertencentes aos grupos de risco, assim como uma comunicação governamental transparente.

Redes de ensino brasileiras também já adotam formatos que respeitam a comunidade escolar, com adesão voluntária, integração com o sistema de saúde e até a realização de aulas em outros espaços além dos ambientes fechados.

Vale destacar, ainda, a importância da escola na ativação da rede de proteção de crianças e adolescentes. Levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), do Instituto Sou da Paz e do Ministério Público de São Paulo alertou para o risco de subnotificação das denúncias de estupro de vulneráveis. Registros, com histórico crescente nos últimos anos, tiveram redução de 16% no primeiro semestre de 2020. Tais crimes são cometidos majoritariamente em ambiente doméstico e têm na escola e nas organizações sociais os principais canais de queixa.

O aprofundamento das desigualdades sociais e de transtornos emocionais foi observado em pesquisa Datafolha: 64% dos estudantes estão ansiosos, 48% irritados e 41% tristes. Segundo o mesmo estudo, apenas 23% dos estudantes em situação de vulnerabilidade acessaram atividades não presenciais e 35% deles estão em risco de abandonar os estudos. Aponta-se ainda que para 42% das famílias a falta da merenda escolar pesa no orçamento. Professores também foram afetados, claro: segundo pesquisa da Nova Escola, 72% deles se sentem mais ansiosos, estressados ou deprimidos.

Tais números reforçam a importância da reabertura das escolas para as interações sociais e para a saúde mental de toda a comunidade escolar, assegurando a integridade física e psicológica dos alunos, especialmente dos mais vulneráveis.

São muitos os desafios relacionados à reabertura, mas é preciso enfrentá-los. Com coordenação política – e prioridade para a abertura das escolas em relação a outros setores –, seremos capazes de oferecer às crianças e aos adolescentes condições para prosseguirem com sucesso na trilha da aprendizagem e do pleno desenvolvimento cidadão.


RESPECTIVAMENTE, SUPERINTENDENTE DO ITAÚ SOCIAL E CEO DA FUNDAÇÃO MARIA CECILIA SOUTO VIDIGAL

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