Política e nuvens

O PSD está pronto a receber sugestões e a engatilhar debate sobre o que todos necessitam

Gilberto Kassab, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2021 | 03h00

O Brasil vive dias de muita complexidade e mais do que nunca a seriedade no debate público e o compromisso prioritário com a superação dos problemas – para além de disputas políticas e da antecipação, sob critérios inadequados e dissociada da realidade, do debate eleitoral para o ciclo de 2022 – são necessários para que reencontremos o caminho da superação da crise e do crescimento econômico, com construção de condições para o empreendedorismo, que tanto move este país, e a necessária construção de uma sociedade mais justa e desenvolvida.

Dou, então, início a algumas reflexões tendo em vista as movimentações da política brasileira nos últimos tempos.

É completamente verdadeira a reflexão do ex-governador mineiro Magalhães Pinto, que entrou para o anedotário nacional, de que a política é como nuvem: “Você olha, está de um jeito e daqui a pouco já está diferente”. Mas acho que algo pode ser acrescido a esse divertido jogo de palavras, em especial no momento que estamos vivendo: a boa política, desenvolvida a partir de boas doutrinas e pautada por princípios em prol do bem coletivo, pode até mudar de figura, mas não muda na sua essência.

Se composições entre personagens da arena pública, aproximações e distanciamentos políticos e outras movimentações são da natureza da atividade do representante público, do processo político em si, que é marcado pelo dinamismo, é importante, contudo, que se cobre que essas movimentações tenham como objetivo fazer o País melhorar. E, também, identificar bons princípios na atuação dos políticos requer atenção e cuidado: por exemplo, para compreender suas motivações e seus objetivos é fundamental que se recorra a boas fontes de informação, como é o caso do Estado, há tantos anos documentando a realidade do País a cada dia, para não nos deixarmos levar por questionamentos infundados sobre as urnas eletrônicas e um modelo eleitoral consagrado, ou a realidade de uma pandemia que já levou a vida de mais de 570 mil brasileiros.

O Brasil tem perdido tempo com bravatas e agressões de todo tipo, que, obviamente, não têm o espírito de solução de problemas reais e, claramente, não estão sintonizadas com o que realmente necessitamos.

Estamos pouco a pouco vencendo a pandemia da covid, com a vacinação caminhando graças aos esforços de gestores comprometidos, sobretudo nos Estados e municípios. Que o País permaneça atento a essa pandemia, que tanto nos atrapalhou e atrapalha, por exemplo, com a arriscada variante delta do coronavírus, que insinua trazer mais problemas.

E como poucas vezes se viu em nossa História recente, é preciso dar atenção redobrada aos fundamentos da nossa democracia, à lisura dos processos eleitorais e do debate público feito de forma honesta, tendo como base esses termos.

Faço, então, um chamamento a quem acompanha a política e as discussões que se travam em Brasília, nas páginas de jornais, nas redes sociais e no nosso dia a dia. E também àqueles que pouco acompanham – muito embora, na sociedade hiperconectada e com tanta estridência pautando manifestações e gestos de lideranças, política a cada dia se torne assunto em tempo permanente. Quanto mais se pensarmos que muita verborragia e bravatas se estão desenrolando em meio a uma grave crise de saúde pública, a economia enfrentando dificuldades e o País precisando aperfeiçoar as condições que o Estado dá ao seu desenvolvimento.

Vamos refletir sobre as prioridades do Brasil? O que nosso país realmente necessita no momento em que traço essas linhas, agosto de 2021? E como podemos trabalhar, coletivamente, pelo benefício de toda a nossa sociedade? Participação política, debate de boa-fé e envolvimento na definição de políticas públicas são iniciativas muito importantes.

Nosso partido, o PSD, com o conjunto dos seus representantes em governos estaduais e municipais, com deputados federais, estaduais e vereadores, com secretários de Estados e municípios, está aberto ao diálogo e atento às demandas da sociedade, pronto a receber sugestões e engatilhar debate sobre o que todos necessitam. É da nossa natureza: acreditamos que a atividade política é construída pela discussão franca e construtiva, focada na busca por soluções.

Política é meio, não fim. E nisso acreditamos muito em tempos em que ranger os dentes, fomentar conflitos e bater na mesa se tornou prática e meio de conquistar a atenção da sociedade. Seguimos com nossas crenças, mantemos nossa impressão de que esse não é o caminho.

A política é como nuvem, cheia de nuances, e se transforma constantemente. Mas se a política é como nuvem, como dizia Magalhães Pinto, acrescento agora: não deveria ser meramente formadora de tempestade e trovoada, que é o que alguns homens públicos parecem tomar como guia de sua conduta, deixando de lado o que é real para um país que pode enfrentar adequadamente seus problemas e superar a importante pandemia da covid, os desafios econômicos e a luta por uma sociedade melhor.


ENGENHEIRO E ECONOMISTA, É PRESIDENTE NACIONAL DO PSD

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