Putin escolheu a guerra, seguimos com a Ucrânia

Ele falhou em seu objetivo de nos dividir, em minar nossa crença no direito fundamental das nações soberanas de escolherem seu destino e seus aliados.

Douglas Koneff, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2022 | 03h00

Este é um momento perigoso para todos os que prezam pela liberdade do mundo. Ao iniciar seu ataque brutal ao povo da Ucrânia, Vladimir Putin também cometeu um ataque aos princípios que sustentam a paz e a democracia global. A Ucrânia vive uma democracia há décadas e a bravura e a resiliência de seu povo vêm inspirando o mundo. Quando a história deste período for escrita, ficará evidente que a escolha de Putin de lançar um ataque não provocado, injusto e premeditado deixou os países democráticos mais unificados e a Rússia mais fraca.

Ao agir em estreita coordenação com uma poderosa coalizão de aliados e parceiros que representam mais da metade da economia global, ampliamos o impacto de nossas ações para impor custos máximos a Putin e seu regime. Em resposta à guerra premeditada, limitaremos a capacidade da Rússia de fazer negócios em dólares, prejudicando a possibilidade de financiar e aumentar suas forças armadas. Como resultado da coordenação de sanções globais sem precedentes, os Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia, Japão e Canadá bloquearam a capacidade de alguns bancos russos de interagir com bancos internacionais por meio do sistema Swift e impuseram medidas restritivas ao Banco Central da Rússia.

O presidente Joe Biden anunciou amplas sanções financeiras e rigorosos controles de exportação que vão prejudicar a economia, o sistema financeiro e o acesso à tecnologia da Rússia. Estamos preparados para fazer mais. Ao mesmo tempo, entendemos que essas sanções vão ter um impacto nas economias mundiais. Os Estados Unidos coordenaram com os principais países produtores e consumidores de petróleo para enfatizar nosso interesse comum em garantir o fornecimento global de energia, principalmente à medida que os preços aumentam. Nos Estados Unidos e em países parceiros, incluindo o Brasil, estamos explorando maneiras de juntos mitigarmos os impactos negativos em vários setores da economia.

Além das penalidades econômicas, o presidente Biden autorizou US$ 350 milhões adicionais em assistência de segurança para ajudar imediatamente a Ucrânia a se defender, elevando a assistência total de segurança dos Estados Unidos ao país, desde o ano passado, para mais de US$ 1 bilhão. Biden também autorizou o envio de forças terrestres e aéreas, já estacionadas na Europa, para os flancos leste e sudeste da Otan. Não pode haver dúvidas sobre a prontidão da maior aliança militar da história do mundo: a Otan está mais unida do que nunca.

Temos sido transparentes com o mundo. Tornamos públicas nossas informações confidenciais sobre os planos da Rússia para que não houvesse equívocos. Putin planejou o ataque há muito tempo. Como diz o ditado, a mentira tem pernas curtas. Ele metodicamente enviou mais de 150 mil soldados e equipamentos militares para a fronteira da Ucrânia. Ele rejeitou todos os esforços de boa-fé da comunidade internacional para resolver suas preocupações de segurança fabricadas e, por meio da diplomacia e do diálogo, evitar conflitos desnecessários e sofrimento humano. Putin escolheu esta guerra.

Quase no mesmo momento em que o Conselho de Segurança das Nações Unidas estava se reunindo para defender a soberania da Ucrânia e prevenir o desastre, Putin lançou sua invasão, em violação ao Direito Internacional. Assistimos aos representantes da Rússia aumentarem seus bombardeios, ao governo russo lançar operações cibernéticas contra a Ucrânia, um teatro político encenado em Moscou, e ouvimos afirmações infundadas sobre o “genocídio” na Ucrânia, como tentativa de justificar a agressão.

Putin falhou em seu objetivo de nos dividir, em minar nossa crença compartilhada no direito fundamental das nações soberanas de escolherem seu destino e seus aliados, e não vai conseguir destruir a nação ucraniana. Sua população viveu 30 anos de independência e demonstrou repetidamente que não vai tolerar ninguém que tente retroceder os avanços do país. A triste tentativa de Putin de nos dividir, por meio de mentiras e desinformação, falhou. O mundo está observando o conflito de perto e, se as forças russas cometerem mais atrocidades, vamos explorar todos os mecanismos internacionais que podem ser usados para responsabilizar os culpados. Esse esforço implica o uso de ferramentas de pressão em níveis nunca usados antes para responder à gravidade da situação.

A escolha de Putin de entrar na guerra, violando a Carta das Nações Unidas e as normas internacionais, deixa o mundo perplexo. A resposta de países de boa-fé e boa consciência merece admiração. O Brasil, Estados Unidos e países ao redor do mundo votaram de forma majoritária nos fóruns internacionais. Muitos países votaram pelo cessar-fogo imediato e pelo fim das mortes de civis inocentes, incluindo crianças.

Liberdade, democracia e dignidade humana são forças muito mais poderosas que medo e opressão. Na disputa entre democracia e autocracia, soberania e subjugação, não se enganem: a liberdade vai prevalecer.

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ENCARREGADO DE NEGÓCIOS DA EMBAIXADA E CONSULADOS DOS EUA NO BRASIL

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