São Paulo e China, uma história promissora

Em parceria com o povo chinês queremos ser empreendedores da nova era

João Doria*, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2019 | 03h00

Dezesseis mil quilômetros de distância e fuso horário de 11 horas. Essa barreira geográfica que separa São Paulo de Pequim tornou-se menor nesta semana, com a aproximação feita pela mais importante missão que o governo de São Paulo já enviou à China. Temos inegáveis interesses mútuos a nos unir cada vez mais, encurtando distâncias e superando eventuais obstáculos. São Paulo reúne condições para se tornar um ponto de vanguarda da Nova Rota da Seda, o movimento de abertura e integração promovido pelo governo do presidente Xi Jinping.

Foi com esse espírito que embarquei dia 2, à frente de uma comitiva de 35 empresários e autoridades do governo paulista, para encontros com autoridades, investidores e empresas em três metrópoles chinesas, Pequim, Xian e Xangai. Temos objetivos claros: ampliar nossa promissora história de amizade, cultura, cooperação e, sobretudo, potencializar negócios.

Como parte desse diálogo e cooperação, abrimos ontem, 9/8, via InvestSP, o escritório comercial do governo de São Paulo em Xangai. É o primeiro escritório do nosso Estado fora do Brasil. Ele estará voltado para a promoção do comércio e de investimentos e o intercâmbio de tecnologia, infraestrutura, agronegócio, saúde, energia, educação e turismo. Será uma ponte duradoura entre São Paulo e a China.

O Estado de São Paulo compra 38% de todos os produtos manufaturados da China que chegam ao Brasil. A China é o segundo destino das exportações de São Paulo, representando 12,46% do total – uma pauta ampla e diversificada, liderada por derivados de petróleo, açúcar, aviões, soja, automóveis, carnes, tratores e suco de laranja. Temos enorme potencial para criar sinergias, estender o comércio bilateral e fortalecer o conhecimento e o turismo entre nossos povos.

Há 11 acordos de cooperação firmados entre São Paulo e a China. Somente neste ano nosso governo já promoveu oito reuniões com autoridades chinesas. Em São Paulo residem cerca de 200 mil chineses, 90% da comunidade chinesa no Brasil. Abrigamos a maior parte das 200 empresas chinesas instaladas no País.

O investimento chinês é o que mais cresce no Brasil. A China tem estoque total de US$ 70 bilhões investidos no Brasil – em São Paulo, por exemplo, a State Grid comprou recentemente o controle da CPFL, que produz e fornece energia elétrica a quase 10 milhões de clientes. Criamos um amplo programa de desestatização, concessões e privatizações, com 21 projetos em diversas áreas: mobilidade urbana, aeroportos, trens, rodovias, hidrovias e portos, por exemplo. Apresentei todos eles a bancos, seguradoras, empresas e investidores chineses.

Queremos parcerias para desenvolver uma linha de trem de passageiros com a principal região econômica do interior do Estado, investimento estimado em cerca de US$ 2 bilhões. Em Pequim tivemos uma produtiva reunião com a CRCC, líder mundial no setor ferroviário. Em Xian nos reunimos com a CR20, a maior construtora da Ásia em receita.

Ambas as empresas querem investir no transporte sobre trilhos de São Paulo. A CRCC deseja participar da Linha 6-Laranja, do Metrô. A CR20 anunciou que pretende disputar o Trem Intercidades. Além do investimento, queremos ganhar com o conhecimento chinês em elaboração e financiamento de projetos, seguro de obras, tecnologia e com as novas máquinas desenvolvidas para a construção pesada.

Desejamos estimular mais operações chinesas nos portos de Santos e São Sebastião. A concessão de áreas apropriadas para embarque de produtos específicos, especialmente alimentos, pode simplificar procedimentos burocráticos e sanitários, garantindo mais controle e melhorando o fluxo de mercadorias. É um caso típico de ganha-ganha entre São Paulo e China. E fez parte do nosso encontro com a Cofco, a maior processadora e comerciante de alimentos da China, que anunciou que ampliará a importação de alimentos do Brasil.

Temos o agronegócio mais moderno do País e, no próximo ano, vamos promover a 1.ª Feira Internacional do Agronegócio em São Paulo, incentivando negócios e tecnologia de ponta. A área de processamento de produtos agrícolas, por exemplo, é prioritária para o avanço da cooperação São Paulo-China.

No setor privado a missão também rende resultados objetivos. A Kidy, empresa de calçados de Birigui, por exemplo, firmou contrato de R$ 25 milhões para exportação de seus produtos. Diversos outros negócios avançaram, comprovando o acerto da política de ampliação da integração global do Estado.

Tenho defendido a ideia de que o momento de disputa comercial entre EUA e China abre oportunidades para o Brasil. Mas temos de buscar e concretizar esses negócios. A China tem o Brasil como parceiro estratégico e garante recursos para investimentos no País pelas mais variadas fontes, como o Banco de Desenvolvimento da China, a Sinosure, que já está em São Paulo, e o Claifund, além das linhas do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco do Brics. Em reuniões com todos esses investidores e financiadores fortalecemos o entendimento de que São Paulo tem o que desejam: bons projetos, com segurança jurídica.

Confio nas palavras do presidente Xi Jinping, que disse que “a porta da China se abrirá cada vez mais” e lembrou iniciativas como a Exposição Internacional de Importação da China – que teve a participação de São Paulo e já caminha para sua segunda edição.

Trabalho, planejamento e educação fizeram da China essa grande potência econômica e tecnológica. Vivemos num mundo compartilhado e em parceria com o povo chinês queremos ser empreendedores da nova era. Estreitar nossos laços, aumentar a confiança mútua e ampliar nosso mercado bilateral são prioridades de São Paulo em relação à China. São consequências inescapáveis de quem enxerga o presente com atitude transformadora. E o futuro como oportunidade.

*GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO

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