Todas as vacinas são prioritárias para a proteção dos brasileiros

A rápida proteção da população deve ser o centro das medidas de combate à pandemia.

Membros do Comitê Científico do Governo do Estado de São Paulo, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2021 | 03h00

O Brasil vem apresentando queda no número de novos casos, internações e mortes relacionadas à covid-19 desde o fim de maio. A média móvel de óbitos atingiu o nível mais baixo desde o primeiro pico da pandemia, em julho de 2020.

Embora os dados possam suscitar expectativas de alívio, não há razões para diminuir a guarda. O País ainda está sob a ameaça da variante Delta, que tem causado enormes problemas em outros países. Exemplos como o da Flórida mostram que, a despeito da disponibilidade de vacinas, há preocupantes recordes de internações e mortes após a entrada da nova variante, colocando o sistema de saúde sob ameaça de colapso.

É consenso entre especialistas que a medida que mais contribui para o controle da pandemia é a vacinação. Aqui, é fundamental salientar as premissas que norteiam o Comitê Científico do governo do Estado de São Paulo. Além de reforçar o investimento na rede de assistência aos pacientes, o uso de máscaras e a realização de testes diagnósticos, a expansão da vacinação deve ser o marco central das ações de prevenção, objetos das reflexões que se seguem.

Quer seja com uma dose da vacina da Jansen, quer seja com duas doses das vacinas CoronaVac, AstraZeneca/Oxford ou Pfizer/BioNTech, a prioridade deve ser a proteção com esquema completo e ampla cobertura vacinal. Todos os dados de eficácia e efetividade de vacinas apresentados até o momento apontam que a imunização completa é o que mais protege as pessoas de serem hospitalizadas ou morrerem de covid-19, conceito reforçado diante das observações impostas pela variante Delta.

Aqui, cabe, portanto, a revisão dos prazos para aplicação mais precoce da segunda dose das vacinas AstraZeneca/Oxford e Pfizer/BioNTech, como é, inclusive, proposto em outros países. Mesmo sabendo que a elasticidade de tempo para a segunda dose se deu pela contingência no acesso a vacinas disponíveis, é fundamental antecipar a imunização da população adulta para a ampliação do cinturão de proteção.

O segundo pressuposto é reconhecer a maior vulnerabilidade de grupos especiais, como pessoas que, por razões diversas, têm alguma deficiência na produção de defesa contra o Sars-CoV-2. Nessas pessoas, nas quais duas doses de vacina ocasionaram menor resposta imune, haveria benefício adicional com uma dose de reforço. Essa é medida consensual entre especialistas da área, devendo, portanto, ser adotada o quanto antes.

O terceiro pressuposto é o uso da dose adicional de vacina, passados seis meses do esquema completo de imunização contra covid-19. Embora saibamos que a quantidade de anticorpos cai com o tempo, podendo haver resgate com uma dose adicional, ainda não há estudos de efetividade conclusivos que demonstrem a utilidade da terceira dose. É, portanto, tema ainda sujeito a revisões e objeto de polêmica em diversos países e organismos internacionais. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) exorta a postergar qualquer uso de terceira dose até que doses suficientes de vacinas cheguem para vacinar a população de todos os países.

Ainda assim, vários países vêm anunciando a adoção da terceira dose da vacina, assim como o Ministério da Saúde. Os esquemas e as vacinas escolhidas, contudo, variam dependendo do país. Além disso, a utilização no Brasil de quatro diferentes vacinas torna a discussão ainda mais complexa.

Neste contexto, priorizar pessoas de mais idade seguirá a mesma estratégia adotada no início da vacinação, no começo de 2021. Desde então, já se reconhecia que os mais velhos deveriam receber vacina primeiro, pois apresentavam maior vulnerabilidade a formas graves de covid-19. Agora já se sabe que os poucos casos de doença que escapam da proteção vacinal são mais frequentes também no grupo dos mais idosos, fato observado para todas as vacinas empregadas no Brasil.

Há dados que mostram que a terceira dose, quer seja com a mesma vacina ou com uma vacina diferente da utilizada no esquema inicial, aumenta a quantidade de anticorpos. Em virtude disso, o Comitê Científico entende que o mais importante é imunizar rapidamente, começando com a população de mais idade, como comentado acima. E, aqui, com a vacina que estiver disponível.

O Comitê Científico sugere ao governo do Estado de São Paulo priorizar a atuação célere, considerando que a variante Delta vem se espalhando pelo País.

Reconhece, ainda, que o conhecimento está em evolução, podendo requerer revisões à luz de novas informações. Estas têm sido geradas por estudos rigorosos que buscam avaliar a efetividade das diferentes estratégias de vacinação.

O mais importante objetivo é a proteção da população do Estado e do País. E a principal arma contra a covid-19 é a vacina, grande conquista da humanidade que se revela, uma vez mais, aliada indispensável para enfrentar a pandemia que causou o maior impacto mundial das últimas décadas.

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CARLOS CARVALHO, DAVID UIP, ELOÍSA BONFÁ, ESPER KALLÁS, GERALDO REPLE SOBRINHO, JOÃO GABBARDO, JOSÉ MEDINA, LUIS CARLOS PEREIRA JÚNIOR E PAULO MENEZES SÃO MEMBROS DO COMITÊ CIENTÍFICO DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

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