Todos pela educação

Sejamos capazes de capacitar nossos jovens para o protagonismo do seu, do nosso futuro

Paulo Hartung, economista

24 de fevereiro de 2019 | 04h00

Quando se fala em emancipação cidadã e desenvolvimento socioeconômico, há duas palavras que são absolutamente relevantes e, indiscutivelmente, se complementam: oportunidade e educação. Abraham Lincoln deu o exato sentido político da palavra oportunidade, ao dizer que o objetivo essencial do governo é “elevar a condição dos homens (...) para permitir um começo a todos e uma chance justa na corrida da vida”. E o poeta Mário Quintana, que vinculou a democracia à garantia de acesso igualitário às oportunidades, poetizou: “Democracia? É dar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, isso depende de cada um”.

O que garante “um começo a todos e uma chance justa na corrida da vida”, além de “dar a todos o mesmo ponto de partida”, é precisamente a educação, que deve ser prioridade absoluta, especialmente a educação básica.

A educação é o melhor legado que qualquer família pode deixar a seus filhos. Aliás, é preciso salientar o papel decisivo da família, não importando o arranjo familiar em questão, no processo educacional de nossas crianças e nossos jovens. A ausência de sua função cria sobrecarga no sistema de ensino, sobretudo na figura do professor. É preciso ficar claro que a escola não tem capacidade para resolver tudo.

Deve-se investir na formação cidadã e na capacitação profissional da juventude, para que tenhamos como horizonte o reino da igualdade de oportunidade entre nós. Ou seja, a educação é um dos principais investimentos para continuarmos na caminhada da superação do abismo da desigualdade socioeconômica que existe no nosso país.

Outro fator ligado à educação que merece ser ressaltado é o valor que ela tem num modo de produção baseado no saber. No capitalismo atual, todas as atividades dependem de informação, tecnologias e conhecimento para se tornarem competitivas e qualificadas.

Nos tempos de sociedade de informação, articulada planetariamente em rede, não se pode pensar em desenvolvimento sem investimento em educação e capacitação para geração de inovação. Se no passado a instrução era importante para vencer a ignorância, hoje a formação atualizada e acessível a todos é essencial. Além disso, combinada com investimentos em ciência e tecnologia, é fator decisivo para a competitividade econômica.

Entre os imensos desafios do Brasil, como bem indica estudo do Movimento Todos pela Educação, podemos listar déficits nas políticas educacionais de aprendizagem, nas estratégias de gestão, tanto institucional quanto escolar, e também na articulação entre os entes federados.

Precisamos de uma atuação política efetiva em prol de uma educação transformadora, garantindo acesso, permanência e aprendizagem a todas as crianças e a todos os jovens brasileiros, de modo que os estudantes tenham idade compatível com as séries correspondentes à sua faixa etária.

É preciso investir na formação humanística e integral da pessoa, contemplando conceitos como equidade e inclusão, abordando temas e demandas da contemporaneidade, valorizando o saber, as ciências e as opiniões divergentes.

É preciso valorizar os professores, agentes centrais da promoção de uma educação de qualidade.

Precisamos melhorar também a infraestrutura educacional, investir em escolas de tempo integral, apostar em sistemas de gestão, avaliação, monitoramento e de incentivo à qualificação das redes em todos os níveis da Federação. Falando nisso, é importante estruturar um Sistema Nacional de Educação – governança, financiamento e articulação de políticas ligadas à infância, adolescência e juventude.

Levanto aqui essas bandeiras porque nelas acredito e porque à frente do governo do Estado do Espírito Santo segui exatamente essa cartilha. E com resultados aprovados e reconhecidos.

A última avaliação do Ministério da Educação ratificou que o Espírito Santo passou a ter o melhor ensino médio do Brasil, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb. Considerando as escolas públicas e privadas, o Espírito Santo teve média 4,4 no ensino médio, a maior entre os Estados brasileiros.

Segundo o Ideb 2017, o crescimento da rede pública estadual do Espírito Santo é o maior registrado desde que o indicador foi criado, em 2005. Com expansão de 0,7 ponto (ou 21% com relação a 2013), o ensino médio da rede estadual atingiu 4,1 pontos em 2017, subindo da 11.ª posição, em 2013, para a 2.ª mais bem colocada no País.

De acordo com resultado, o Espírito Santo tem a melhor nota em termos de desempenho acadêmico dos estudantes. O crescimento do Estado foi de 10,5 pontos em Matemática e de 6,2 pontos em Língua Portuguesa. Pela primeira vez, o Estado lidera nas duas disciplinas, alcançando a melhor proficiência no ensino médio do Brasil, conforme o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Como é notório, há muito a avançar nesta que deve ser uma prioridade absoluta de qualquer nação. Mas essas conquistas aqui reveladas simbolizam a efetividade do conjunto de investimentos que fizemos para qualificar e ampliar toda a educação pública capixaba.

Para essa mudança de paradigma buscamos inspiração em experiências consagradas nacionalmente, como a educação integral em Pernambuco e o pacto pela aprendizagem em Sobral (CE). Também contamos com o apoio dos institutos Unibanco, Natura, ICE, Ayrton Senna, Sonho Grande e o Movimento Espírito Santo em Ação.

Que, com ações concretas, possamos garantir à nossa juventude a possibilidade de construir seu horizonte com a marca dos seus sonhos. Que sejamos capazes de capacitar nossos jovens para o protagonismo do seu futuro – do nosso futuro. O caminho é a educação.

* PAULO HARTUNG É ECONOMISTA E FOI GOVERNADOR DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (2003-2010 E 2015-2018)

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