Unesp 100% presente

Jamais paramos de ensinar, pesquisar e atender a população, mas a volta das atividades presenciais é necessária

Pasqual Barretti, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2022 | 03h00

Prestes a completar dois anos do dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a disseminação da covid-19 como uma pandemia, a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, a Unesp, anuncia o retorno pleno de suas atividades presenciais a partir do próximo dia 7 de março.

Ao mesmo tempo que as tecnologias digitais de informação e comunicação foram essenciais para a continuidade dos trabalhos nos longos períodos de isolamento, elas impuseram um ritmo de trabalho intenso. Aprendemos como educadores a valorizá-las ainda mais e a usá-las a favor da manutenção do vínculo do docente com o aluno, essencial para o processo de ensino-aprendizagem.

Jamais paramos de ensinar, de pesquisar, de prestar serviços e de cumprir com a missão como universidade pública. Entre outras ações deste período, os cursos da área da saúde seguiram com atividades presenciais, imersos na realidade dramática da covid-19; prosseguimos com atendimentos essenciais à população; oferecemos notebooks e chips para celulares, para melhor conectividade dos alunos; ampliamos nossa rede de proteção, com novos auxílios financeiros, para evitar interrupções nas jornadas dos estudantes; e construímos redes de solidariedade e acolhimento por meio de projetos extensionistas.

A essência de uma universidade, porém, está condensada dentro dos câmpus universitários: é na convivência social e nas conversas do dia a dia que ocorre a maioria das trocas de saberes e que se abrem espaços propícios para a livre manifestação do pensamento e de expressões artísticas e culturais.

Numa universidade multicâmpus, como a Unesp, foi desafiador liderar o planejamento do retorno seguro às aulas presenciais para uma comunidade universitária formada por quase 70 mil pessoas vindas de várias regiões do País, distribuída por 24 cidades paulistas. Norteados pela ciência e pelo diálogo democrático com nossa comunidade, sempre defendemos que a prioridade em qualquer decisão é a vida. Tomamos medidas difíceis, mas necessárias, como adiar a aplicação da segunda fase do vestibular em 2021 e orientar a manutenção do ensino remoto emergencial por um período mais longo do que desejávamos. Neste momento, entretanto, a evolução favorável da situação epidemiológica da pandemia mostra que chegou a hora da retomada 100% presencial.

Iniciativas relacionadas ao enfrentamento da pandemia, em especial, tornaram evidente a potência que surge quando o conhecimento científico vai ao encontro das necessidades sociais mais prementes. Até agora, realizamos em nossos laboratórios mais de 300 mil testes diagnósticos da covid-19 em apoio a prefeituras de diferentes regiões paulistas. Houve, também, o engajamento de pesquisadores para o sequenciamento genômico do Sars-CoV-2, o que ajudou no monitoramento de suas variantes, e o desenvolvimento de uma técnica de rastreamento do vírus por coleta de saliva em grupos de pessoas, inovação social disponível a todos que queiram utilizá-la no serviço público ou em empresas. A testagem de grupos por meio da saliva, além de utilizar menos insumos, amplia a escala de testagem por meio de uma abordagem que permite tomar providências rápidas para proteger mais pessoas.

Para viabilizar o retorno seguro, destinamos mais de R$ 200 milhões para melhorar a infraestrutura de ensino e as condições de recepção e permanência dos estudantes. No início de 2022, estabelecemos a obrigatoriedade do comprovante de vacinação contra a covid-19 a todos os públicos da nossa comunidade. Manteremos os cuidados sanitários, aprimorados durante o período da pandemia, e realizaremos testes periódicos para todos: discentes, servidores técnico-administrativos e docentes. No caso de testes positivos, o aconselhamento para o estabelecimento da quarentena será feito por meio de um serviço multiprofissional de telessaúde da própria universidade, criado com recursos próprios e aperfeiçoado com base na experiência de nosso público. Faremos, também, a genotipagem das amostras positivas para orientar as nossas ações. Tudo será financiado pela Unesp.

Soma-se a todas as iniciativas internas, formuladas para garantir um retorno seguro, a sensível melhora do cenário no Estado de São Paulo: o índice de disseminação (Rt) está menor do que 1, os leitos livres se tornaram maioria e o número de internações hospitalares voltou para níveis anteriores à chegada da variante Ômicron. Temos, ainda, a ampla adesão da população paulista às vacinas contra a covid-19.

Com os imunizantes disponíveis mostrando que são estratégias confiáveis de prevenção, como já atestaram estudos científicos, chegou a hora de reunir novamente nossos jovens estudantes num mesmo espaço físico, de ressocializar e interagir diretamente com eles, de retomar os encontros transformadores que só a vivência num câmpus universitário nos proporciona. Além de ser benéfico para a educação como um todo, este passo certamente nos ajudará a reunir ainda mais energia para combater o negacionismo e a desinformação que marcaram o tempo da pandemia.

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MÉDICO, PROFESSOR DA FACULDADE DE MEDICINA DO CÂMPUS DE BOTUCATU, É REITOR DA UNESP

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