A boa notícia da China

A China, maior parceira comercial do Brasil e principal mercado para as matérias-primas brasileiras, continua em rápida expansão econômica - uma boa notícia para o resto do mundo, especialmente quando se agravam os problemas na Europa e nos Estados Unidos. O banco central chinês aumentou os juros cinco vezes, desde o ano passado, para conter o crescimento e derrubar a inflação. Mas essa política parece ter afetado pouco a atividade até agora. Quem temia um pouso forçado pode ficar tranquilo pelo menos por algum tempo. O ajuste da segunda maior economia do mundo, se ocorrer, será bem gradual, segundo as indicações disponíveis por enquanto.

, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2011 | 00h00

No segundo trimestre, o PIB da China foi 9,5% maior que o de um ano antes. No primeiro trimestre, o valor produzido havia ficado 9,7% acima do registrado entre janeiro e março de 2010. Mas talvez seja cedo para se falar de uma desaceleração. Entre o primeiro e o segundo trimestres houve um crescimento de 2,2%. Projetado para um ano, esse número corresponde a uma expansão de 9,1%. Nos três meses imediatamente anteriores o crescimento havia sido equivalente a um ritmo anual de 8,7%. A economia está mesmo perdendo impulso?

Em junho, a produção industrial foi 15,1% maior que a de um ano antes. Em maio, havia sido 13,3% superior à do mesmo mês de 2010. No mês passado, as vendas no varejo ficaram 17,7% acima das de junho do ano anterior. Também o consumo, portanto, continua aumentando rapidamente. É fácil entender a inflação de 6,4% nos últimos 12 meses. Segundo os otimistas, esse deve ter sido o pico. Se estiverem errados, o governo talvez logo tenha de usar um freio mais forte. Conter a inflação é hoje o objetivo prioritário das autoridades.

A economia chinesa aquecida é o principal fator de sustentação dos preços no mercado mundial de produtos agrícolas e de outras matérias-primas. Isso é um fator de segurança para o Brasil. O déficit brasileiro na conta corrente do balanço de pagamentos pode chegar a US$ 60 bilhões neste ano e a US$ 70 bilhões no próximo, segundo projeção do mercado financeiro.

A conta corrente é formada por três componentes - a balança comercial de mercadorias, a balança de serviços (onde se incluem viagens, fretes, seguros, juros, royalties e assistência técnica) e a conta de transferências unilaterais (onde se destaca o dinheiro remetido pelos trabalhadores no exterior).

O resultado geral da conta corrente seria muito pior sem o superávit comercial garantido principalmente pelas exportações de produtos básicos e semimanufaturados. Esse desempenho vem sendo garantido pelos bons preços das commodities, sustentados pela China e por outros emergentes ainda prósperos.

No ano passado, o Brasil exportou à China mercadorias no valor de US$ 30,8 bilhões. Essa receita foi 46% maior que a de um ano antes e correspondeu a 15,2% do total faturado pelos exportadores brasileiros. Os Estados Unidos foram o segundo país mais importante para as exportações brasileiras e absorveram produtos no valor de US$ 19,5 bilhões. As vendas para o mercado americano aumentaram 9,6% num ano, apesar do baixo nível de atividade nos EUA. Mas o saldo comercial dependeu principalmente das compras chinesas.

A China continua liderando as compras de produtos brasileiros. No primeiro semestre, as vendas para o mercado chinês proporcionaram receita de US$ 20 bilhões, 47,6% maior, pela média diária, que a dos primeiros seis meses de 2010. Também as vendas para os EUA aumentaram. A variação chegou a 29,4% e o valor alcançou US$ 11,7 bilhões. Mas as perspectivas imediatas da economia americana, assim como as da europeia, são muito incertas. No caso dos Estados Unidos, o principal fator de inquietação, neste momento, é a negociação política do ajuste orçamentário. Se a oposição impuser sua vontade, o resultado poderá ser uma nova fase de estagnação, com efeitos danosos para toda a economia mundial. Daí a importância de um ajuste suave na China. O mundo não pode dispensar a prosperidade chinesa.

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