A chacina de Osasco e Barueri

O que a população deseja – mais do que isso, exige – das autoridades é que as investigações sobre a chacina que deixou 18 mortos e 6 feridos em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, na noite de quinta-feira, levem à barra dos tribunais os seus autores, o mais rápido possível. Embora, infelizmente, as chacinas não sejam novidade na periferia da capital e cidades vizinhas – mesmo com a sensível diminuição do índice de homicídios nos últimos anos –, essa última, pelas suas características e dimensões, deixou particularmente chocada a opinião pública.

O Estado de S. Paulo

18 Agosto 2015 | 03h00

Os assassinos, que eram pelo menos 6 – 4 num carro e 2 numa moto –, realizaram 9 ataques num lapso de tempo relativamente curto, entre 20h30 e 23h45, em Osasco (15 mortos e 6 feridos) e Barueri (3 mortos), numa clara indicação de ação planejada. Não por acaso, o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, não demorou a concluir que os ataques estão relacionados e “seguem um padrão”.

O que se impõe agora é colocar o máximo de empenho nas investigações, e disso o governo vem dando mostras desde o primeiro instante. O secretário Moraes montou, já no dia seguinte, uma força-tarefa para cuidar do caso, composta pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), pelo Departamento da Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), pelo Instituto de Criminalística e pela Polícia Militar (PM).

O governador Geraldo Alckmin, que logo qualificou o caso de “gravíssimo” e prometeu esclarecê-lo “o mais rapidamente possível”, anunciou na segunda-feira que o governo dará uma recompensa de R$ 50 mil – o valor mais alto possível para isso – para quem, protegido por total sigilo, fornecer informações capazes de levar à prisão dos assassinos.

Enquanto todo esse aparato se move em busca dos culpados, é preciso muito cuidado e serenidade, tendo em vista a forte comoção provocada pela chacina, para não avançar conclusões. O secretário Moraes disse que, além de vingança pelo assassínio do cabo da PM Avenilson Pereira de Oliveira, morto no dia 7 por dois assaltantes ainda foragidos, podem existir várias explicações para a chacina, entre elas outro assassínio, o de um guarda civil de Osasco, e a disputa por pontos de tráfico de drogas.

Não há como fugir, no entanto, da constatação de que há fortes indícios de estarmos diante de atos de vingança pela morte do cabo da PM. Num dos locais das execuções, um bar, câmeras de segurança gravaram os assassinos perguntando aos frequentadores quem tinha antecedentes criminais, neles atirando em seguida. A maioria dos mortos, porém, segundo os parentes, nada tinha a ver com atividades criminosas.

Os policiais que investigam o caso têm imagens de câmeras de segurança que, depois de um trabalho de limpeza técnica, poderão permitir a identificação das placas dos carros dos criminosos. O ouvidor da Polícia, Júlio Cesar Fernandes Neves, em declarações ao jornal O Globo, acredita já haver elementos para concluir pela participação de policiais militares no crime.

“As imagens em poder da Secretaria da Segurança mostram que os participantes da chacina seguiram procedimentos adotados pela PM”, diz ele. E cita como exemplos a forma como as vítimas foram dominadas, o modo de carregar as armas e a movimentação para garantir segurança na retaguarda: “São coisas que a bandidagem não faz. Está muito claro que são policiais. Só não vê quem não quer”.

A Polícia Militar e seus superiores – o secretário Moraes e o governador Alckmin – devem ser os primeiros interessados em esclarecer se a chacina é obra de maus policiais. Se não for, tanto melhor – para a população e a instituição. Mas, se for, eles têm de ser punidos com o máximo rigor. Não podem existir na Polícia grupos de extermínio. Ela é força armada pelo Estado para garantir a segurança pública, não para semear a insegurança ao se arrogar o direito de fazer justiça – julgando, condenando e executando sumariamente quem quer que seja.

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