A China é o melhor cliente do Brasil

Embora o saldo da balança comercial de US$ 988 milhões tenha apresentado em março uma redução de 17,9%, pela média dos dias úteis, em relação a fevereiro, houve em relação a março de 2008 um crescimento de 63%, em razão da redução de 14,9% das exportações, mas também de uma redução ainda maior das importações (21,5%). A forte queda das importações permite supor que o déficit da balança comercial, em 2009, pode ser menor do que se estimava.A balança comercial foi marcada, não só em março, mas em todo o primeiro trimestre, por importantes modificações, que talvez não sejam duradouras. Houve um aumento das exportações de commodities, apesar da redução dos seus preços, um recuo da participação dos produtos manufaturados nas exportações e uma queda sensível das importações de petróleo. Mas foi na distribuição geográfica do comércio exterior que se verificou a maior mudança: a China se tornou o maior cliente do Brasil, ultrapassando os EUA, que reduziam as importações de produtos brasileiros, e a Argentina deixou de ocupar o 3º lugar entre nossos clientes.As exportações de produtos básicos, em março, aumentaram sua participação para 39% ante 29% um ano atrás e 38,4% em fevereiro deste ano - isso apesar da queda de 20,9% do preço das commodities em janeiro, em relação a dezembro 2008.Mas os produtos manufaturados tiveram um forte declínio da sua participação: 47,4%, contra 55,4% em março de 2008 e 48,35% em fevereiro deste ano, embora com uma queda de preços mais moderada.Com a China, tivemos em março um superávit comercial de US$ 508 milhões, nossas exportações aumentando 54,3%, pela média por dia útil. Com isso, a China se tornou nosso maior cliente. Essa condição, no entanto, pode ser transitória, uma vez que em março a China recompôs seus estoques de minérios de ferro, depois de tê-los reduzido bastante para forçar seus fornecedores a baixar os preços.Houve, por outro lado, uma profunda deterioração de nossas exportações para a Argentina, com queda de 39,6%, somente superada pela queda das exportações para os EUA (40,4%). Levando em conta que a China acaba de fechar um acordo comercial no valor de 70 bilhões de yuans com a Argentina, é de prever que o país vizinho transfira suas compras para a China e deixe de ser um forte cliente do Brasil.

, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2009 | 00h00

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