A crise política e a expectativa de crescimento

Apesar de tudo, a economia está passando por uma fase 'compatível com a estabilização no curto prazo'

O Estado de S.Paulo

21 Junho 2017 | 03h07

Para dirigentes do Banco Central (BC), o crescimento de 0,28% em abril, na comparação com março, do índice de atividade calculado pela instituição, o IBC-Br – considerado uma prévia do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) medido pelo IBGE –, mostra a continuidade da moderada recuperação da atividade econômica observada no primeiro trimestre do ano, quando houve expansão de 1% do produto real. Contudo, o recrudescimento da crise política em maio, com as delações do empresário Joesley Batista, da JBS, tornou os agentes do mercado financeiro mais céticos. Para muitos deles, os resultados até agora não foram tão afetados, mas há temores de que os efeitos das incertezas políticas sejam mais fortes a partir de junho, prejudicando os investimentos e a demanda de bens de consumo, sobretudo os duráveis.

É realista, no entanto, afirmar que, apesar de tudo, a economia brasileira, como tem ressaltado o BC, está passando por uma fase “compatível com a estabilização no curto prazo”. Considera-se provável que o crescimento do PIB no segundo trimestre fique próximo de zero e há analistas que projetam uma expansão de 0,1%. Na visão do mercado, há ainda possibilidade de uma recuperação gradual ao longo do segundo semestre, o que vai depender, em grande medida, do andamento das reformas trabalhista e previdenciária.

Com a persistência da crise política, porém, tem sido constante a queda da expectativa de expansão do PIB em 2017. A previsão dos cem economistas ouvidos pelo BC para a elaboração do relatório semanal de mercado Focus, que há um mês era de um crescimento do PIB de 0,50% este ano, baixou para 0,41% há uma semana e para 0,40% no boletim divulgado na segunda-feira passada. Para 2018, a expectativa, há quatro semanas, era de um avanço de 2,50% do produto real, tendo caído para 2,30% há uma semana e para 2,20% no momento.

O que mais impressiona no relatório é a rápida piora das projeções para a produção industrial. Há quatro semanas, os analistas previam crescimento de 1,3% da indústria neste ano. Há uma semana a taxa caiu para 0,94% e agora não passa de 0,60%. Um avanço mais significativo da produção industrial só ocorreria em 2018, com expansão de 2,50%.

Se o pior cenário se confirmar, o desemprego tende a continuar muito elevado ainda por um longo período.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.