A culpa não é da Copa

A eliminação de 556 vagas de estacionamento de veículos no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, torna mais grave um problema que incomoda os usuários e os obriga a buscar soluções alternativas e geralmente mais caras, como os táxis. Mais do que isso, porém, o aumento das dificuldades para se encontrar vaga em Cumbica mostra que o esgotamento da capacidade do principal terminal aeroportuário do País - que as autoridades do setor dizem querer evitar que ocorra em 2014, ano da Copa do Mundo - já ocorreu e se transformou num problema agudo. E, dado o descompasso entre o andamento previsto para as obras e o crescimento contínuo do número de passageiros que passam por Cumbica, ficará ainda pior antes de começar a melhorar, quando as obras ficarem prontas.

O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2012 | 03h10

A falta de vagas nos estacionamentos é um dos muitos problemas que enervam os usuários do Aeroporto de Cumbica. Há menos de um ano, para tentar contornar a questão, a Infraero abriu uma licitação para a abertura e operação de quatro bolsões, mas só três foram abertos, com pouco mais de 1,1 mil vagas. Dos três, dois foram fechados pela Infraero, que decidiu interromper o contrato que mantinha com uma empresa privada. O terceiro, com 550 vagas, continua em operação, no Terminal 4 do Aeroporto de Cumbica, que atende exclusivamente passageiros da empresa Webjet.

De acordo com a estatal, um dos bolsões foi transformado em pátio para os táxis autorizados a operar em Cumbica, pois seu espaço anterior se transformou em canteiro de obras do Terminal 3; outro foi desativado. Continua operando o estacionamento principal do aeroporto, com 2,9 mil vagas, mas sempre lotado.

Táxis são outra fonte de transtornos para os passageiros que utilizam o aeroporto. Em horários de concentração de voos - como o fim da madrugada e início da manhã, quando chega boa parte dos aviões que fazem voos internacionais -, a espera entre a compra do tíquete e a entrada no táxi supera uma hora.

Quando se compara o ritmo de crescimento do número de passageiros que passam por Cumbica com a evolução dos serviços e a expansão das instalações fica claro que o aeroporto tem cada vez menos capacidade para atender à demanda. A inauguração do Terminal 4, no início de 2012, com capacidade para 5,5 milhões de passageiros por ano, apenas evitou que a saturação, previsível pelas estatísticas de movimentação dos últimos anos, se tornasse crítica.

Em 2011, Cumbica bateu novamente seu recorde de movimentação de passageiros. Suas instalações foram utilizadas por 29,96 milhões de passageiros, dois terços mais do que a capacidade de então, de 18 milhões de passageiros por ano.

A inauguração do Terminal 4 e obras paliativas elevaram sua capacidade para os atuais 31,4 milhões de passageiros/ano, mas sua movimentação continua a crescer. No primeiro semestre do ano, Cumbica registrou a passagem de 15,6 milhões de passageiros, 8,6% mais do que na primeira metade de 2011. Se o ritmo se mantiver por todo o segundo semestre, o ano fechará com 31,2 milhões de passageiros, praticamente sua capacidade recentemente expandida.

Novo aumento de capacidade só ocorrerá quando o Terminal 3, atualmente em obras, começar a operar parcialmente, o que, de acordo com o cronograma, ocorrerá apenas em 2014. Até lá, o movimento por Cumbica continuará crescendo. Na hipótese de o crescimento retomar o ritmo observado até o ano passado, de cerca de 15%, o próximo ano poderá registrar o movimento de 37,4 milhões de passageiros, 20% acima de sua capacidade.

Cumbica é apenas um entre os seis aeroportos por onde passarão os turistas atraídos ao País pela Copa e que estão saturados ou estarão no início de 2013, bem antes da realização do torneio mundial de futebol. O problema não é nem será causado pela Copa. Ele resulta de falhas de gestão do sistema aeroportuário brasileiro, algumas das quais só agora começam a ser sanadas, com a abertura do setor para a iniciativa privada.

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