A derrota dos baderneiros

A mais longa greve deflagrada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), que pedia reajuste de 75,33% sob o pretexto de equiparar o salário do magistério público ao das categorias do funcionalismo com formação universitária, terminou sem que os grevistas obtivessem uma única concessão do governo do Estado. Nada ganharam e tudo perderam, pois os excessos cometidos durante a parede foram próprios de desordeiros violentos e não de pessoas encarregadas de formar o intelecto e o caráter das crianças paulistas.

O Estado de S. Paulo

18 Junho 2015 | 03h00

A greve, que durou 89 dias, foi deflagrada logo após o início do ano letivo, mais uma vez convertendo os alunos e suas famílias em reféns de exigências irrealistas. Além de equiparação salarial, os grevistas queriam mudanças nos critérios de contratação dos docentes temporários e incorporação do bônus por produtividade e avaliação de mérito aos vencimentos. Pleiteavam o máximo de 25 alunos por sala de aula em todas as séries do ensino fundamental e do ensino médio. Pediam a revogação da lei que disciplina faltas por motivo de saúde. Criticaram o rigor das perícias médicas. Cobraram maior rapidez na tramitação dos pedidos de aposentadoria. E ainda protestaram contra o risco de falta de água nas escolas.

Alegando que o piso salarial do magistério paulista é 26% superior ao nacional e que o Estado concedeu para a categoria aumento cumulativo de 45% nos últimos quatro anos, o governador Geraldo Alckmin rejeitou a reivindicação e se recusou a negociar com a Apeoesp. Depois que os grevistas passaram a fazer assembleias no vão livre do Masp, bloquear o tráfego em ruas e avenidas de grande circulação, promover badernas e depredações de edifícios públicos e constranger e agredir as autoridades estaduais, o governador mandou cortar o ponto dos faltosos.

Os grevistas apelaram para o Judiciário, alegando que a Constituição assegura o direito de greve ao funcionalismo público. Tribunais superiores derrubaram a pretensão, lembrando que quem entra em greve não tem direito a receber o salário correspondente aos dias não trabalhados. Assim, desmoralizados em todas as frentes, os grevistas voltaram às salas de aula. Não houve nem mesmo a “vitória moral” que nos últimos tempos serve de consolo a derrotados. Os grevistas não conquistaram um centavo de real a mais em seus vencimentos e a direção do malfadado sindicato não conseguiu liderar o professorado em mais essa aventura político-ideológica. Tanto assim que, nas primeiras semanas de abril, somente 4% dos professores cruzaram os braços. No auge do protesto, em maio, a adesão foi de apenas 9% da categoria.

Os maiores derrotados foram as lideranças políticas que há muito tentam usar o professorado como massa de manobra de determinados partidos. A direção da Apeoesp é vinculada ao PT e sempre procurou desgastar os governos do PSDB. O controle da entidade também é disputado por pequenas facções de esquerda radical, vinculadas ao PSOL, ao Partido da Causa Operária e ao PSTU, que tentam compensar a carência de votos e a falta de representatividade apelando para a afronta à lei, para a intimidação e para a violência.

A greve serviu para que tanto o PT como as facções que disputam o controle do magistério público estadual revelassem o perfil de professores que lideram. São docentes sem noção de limite moral e de respeito à lei, que chegaram a pagar publicidade pedindo aos pais que não levassem os filhos à escola. São pessoas que não hesitam em promover desordem para que possam, depois do confronto com a polícia, posar de vítimas de violência arbitrária. São professores que mentem e manipulam fatos, chegando a ponto de acusar a imprensa de noticiar o congestionamento do trânsito em dias de assembleia em vias públicas só para jogar a população contra os professores. “A greve serviu para desmascarar os verdadeiros inimigos da educação”, disseram os diretores da Apeoesp, culpando os jornais e as televisões pelo fracasso do protesto. Pessoas como essas não deveriam estar em sala de aula, ensinando e formando crianças e adolescentes.

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