A economia paulista

Embora contínua, a retomada ainda é insuficiente para compensar as perdas registradas pela economia paulista – que responde por cerca de um terço do PIB nacional –, cuja produção diminuiu por longos três anos e meio

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2018 | 03h00

É firme a recuperação da economia do Estado de São Paulo. O crescimento de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) paulista no resultado acumulado dos quatro trimestres encerrados em junho na comparação com os quatro trimestres anteriores reforça uma tendência de expansão que se observa desde o início do segundo semestre do ano passado. Embora contínua, a retomada ainda é insuficiente para compensar as perdas registradas pela economia paulista – que responde por cerca de um terço do PIB nacional –, cuja produção diminuiu por longos três anos e meio. A recessão se estendeu do primeiro trimestre de 2014, último ano do primeiro mandato de Dilma Rousseff, até o segundo trimestre do ano passado, quando finalmente começaram a cessar os efeitos mais danosos da irresponsável política econômica do último governo lulopetista.

Os dados do PIB trimestral de São Paulo foram compilados pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), vinculada à Secretaria de Planejamento e Gestão do governo paulista. Eles mostram o peso que as regiões mais industrializadas tiveram no comportamento da economia paulista na primeira metade deste ano. A área do Estado de São Paulo formada pela Região Metropolitana de São Paulo e pelas Regiões Administrativas de Campinas, Sorocaba e São José dos Campos – responsável por 82,1% da atividade econômica estadual (a região metropolitana de São Paulo, isoladamente, responde por 54,5% do PIB estadual) – cresceu 2,9%, mais do que crescera no trimestre anterior (2,4%) e mais do que a média estadual no período analisado.

Embora ainda lenta, a recuperação na área mais industrializada do Estado de São Paulo – chamada pela Seade de segundo grupo das regiões paulistas – vem se intensificando de maneira ininterrupta há vários trimestres, numa indicação de que o resultado ao fim do ano pode ser bastante animador.

As regiões que compõem o primeiro grupo – as que ocupam as partes oeste e norte do Estado (mais a região de Itapeva, no sul), que são predominantemente agrícolas e respondem por 14,4% do PIB paulista – cresceram 1,6% no segundo trimestre do ano. O terceiro grupo – formado pelas Regiões Administrativas de Santos e Registro, onde predominam os segmentos de refino de petróleo, petroquímica e produção do pré-sal – cresceu 2,3%.

No caso específico da produção industrial, destacaram-se as regiões de Sorocaba (aumento de 11,6%) e Campinas (6,1%), com desempenho bem superior à média do setor industrial do Estado (crescimento de 3,9%). É auspiciosa a recuperação – ainda modesta, é verdade – da indústria da região da Grande São Paulo. Embora seja inferior à media estadual, o aumento de 0,6% da produção industrial da região metropolitana no segundo trimestre indica mudança da tendência de queda (de 1,3%) observada no trimestre anterior.

O aumento da produção industrial em 13 das 16 regiões do Estado mostra a disseminação da recuperação da atividade fabril. Em seis delas, o crescimento superou 6%. Regiões predominantemente agrícolas registram aumento expressivo da produção da indústria, como a chamada região Central (6,7%) e a de Bauru (6,4%).

Resultados mais recentes da produção industrial divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), porém, sugerem que esse cenário pode ter sofrido alguma modificação. Em setembro, por exemplo, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional do IBGE, a indústria paulista produziu 6,6% menos do que um ano antes. A produção do terceiro trimestre de 2018 foi 1,0% menor do que a do trimestre anterior.

O resultado acumulado dos nove primeiros meses do ano ainda é 2,4% maior do que o do mesmo período de 2017 e o dos últimos 12 meses, 3,8% maior do que o do período imediatamente anterior. Os dados recentes indicam que também esses resultados acumulados podem diminuir ou até mudar de sinal. Mas expectativas positivas geradas pelo próximo governo têm poder para mudar o cenário nos últimos meses do ano.

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