A expansão dos bancos públicos

A intenção do governo de usar os bancos públicos como instrumento para redução das taxas de juros e, em particular, do spread é compreensível, pois eles apresentam boa rentabilidade e os juros dos bancos privados são incontestavelmente muito elevados. Já a vontade de usar os bancos oficiais para elevar o volume do crédito deve ser examinada com muito cuidado.As operações de crédito em favor do setor privado, nos cinco primeiros meses do ano, cresceram 7% no sistema financeiro público e apenas 1,2% no sistema privado nacional. Com a crise internacional, os bancos privados nacionais tiveram grandes dificuldades para captar recursos externos, o que os levou a uma política de crédito muito prudente.A situação melhorou a partir de abril e permitiu aos bancos privados aumentarem suas operações com o setor privado em 1,4%, em maio, ante 1,1% dos bancos públicos, cujas operações nascem no BNDES, que sozinho responde por 48,6% dos empréstimos de bancos públicos ao setor privado.O que nos preocupa, agora, é esse impulso de expandir a qualquer custo as operações dos bancos públicos para o setor privado. Não podemos nos esquecer de que a história econômica brasileira ficou marcada por quebras dos bancos públicos, a começar do Banco do Brasil, e que, nos anos que antecederam o Plano Real, diversos bancos públicos foram fechados.A situação que se apresenta hoje é que a inadimplência nos bancos públicos, que em maio estava na casa dos 13,4% do valor das operações e cresceu 46% em cinco meses, nos bancos privados nacionais mantinha-se em 4,9% e, nos mesmos cinco meses, cresceu 36%.A preocupação se torna maior quando se sabe que os bancos públicos trabalham com dois objetivos principais: aumentar o crédito para as pequenas empresas e para o setor habitacional. Ora, é sabido que as pequenas empresas oferecem garantias limitadas aos bancos e têm um índice de mortalidade muito elevado.No caso do crédito imobiliário, são operações de longo prazo, com taxas de juros reduzidas, nas quais não é possível casar o ingresso de recursos com as suas aplicações, o que as torna muito mais arriscadas.Antes de expandir demais suas operações, caberia aos bancos públicos aumentar seus capitais para que não se caia numa situação em que o Tesouro tenha de socorrê-los a um custo elevadíssimo, como já ocorreu.

, O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2009 | 00h00

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