A Fapesp no mundo

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) nos anos recentes tem colocado, entre suas prioridades, ampliar o mais possível relações com entidades congêneres, universidades e empresas dos vários países em que ciência e tecnologia reconhecidamente atingiram patamares elevados de excelência. Há uma explicação e uma fundamentação para essa política.

CELSO LAFER, PROFESSOR EMÉRITO DO INSTITUTO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA USP. É PRESIDENTE DA FAPESP.,

16 Dezembro 2012 | 02h05

O que explica o desejo da Fapesp de interagir com outras nações nesse campo é que o empenho para aumentar o intercâmbio gera e amplia conhecimento em todas as áreas em que ele ocorre. A ampliação do conhecimento é um imperativo para o futuro das sociedades contemporâneas e muito importante para o nosso país, porque a velocidade em que vem ocorrendo altera as condições de vida de todos. É uma força centrípeta na vida internacional. No mundo contemporâneo esse processo tem alcance planetário. Por isso a ciência é uma atividade que depende mais e mais do esforço da cooperação transfronteiras, pois muitos dos fenômenos mais importantes com que ela se depara ocorrem em diversos lugares do mundo. No universo da ciência o centro está em toda parte, diria, adaptando uma formulação de Miguel Reale.

O que fundamenta a ampliação da presença da Fapesp no mundo é o fato de que o Estado de São Paulo tem dispêndios com ciência e tecnologia que se equiparam aos de diversas nações com tradição nesses campos: o 1,64% do produto interno bruto (PIB) paulista investido em 2010 é superior ao que fizeram Espanha, Itália, Irlanda, China, Índia, Rússia, Argentina, e um pouco inferior ao praticado por Canadá, Reino Unido, França, Austrália.

Mais importante, desse total de despesas em ciência e tecnologia no Estado de São Paulo, 60% vêm de empresas, uma situação peculiar no Brasil e similar à que se verifica nos principais centros de desenvolvimento desse setor no mundo. Igualmente, o número de doutores formados em cada uma das principais universidades paulistas anualmente é comparável com o das mais renomadas instituições de ensino superior do mundo.

Em síntese, o Estado de São Paulo está num patamar de qualidade em ciência e tecnologia que lhe permite interagir em igualdade de condições com as grandes instituições de outros países, e é importante que isso seja feito agora.

Atualmente, a Fapesp tem vigentes 62 acordos de cooperação com entidades de ensino e pesquisa de 13 países. Desde o início da década de 1990, após a Constituição estadual de 1989 ter-lhe dado a missão de aplicar seus recursos (aumentados de 0,5% para 1% da receita tributária estadual) em desenvolvimento tecnológico, além de científico, a Fapesp aprovou 466 projetos por meio de acordos internacionais de cooperação científica e tecnológica.

Neste momento, 112 projetos científicos estão sendo desenvolvidos por pesquisadores financiados pela Fapesp com pesquisadores de outros países - em maior número com Reino Unido (32), Estados Unidos (26) e França (24); e também com Argentina (10), Israel (5), Canadá (5), Alemanha (3) e Dinamarca (2).

Do total de acordos, há 21 com agências de financiamento à pesquisa, 35 com instituições de ensino e pesquisa e três com empresas sediadas nos Estados Unidos (Agilent Technologies, Boeing, Microsoft Research).

Com empresas internacionais representadas no Brasil foram assinados cinco acordos de cooperação para pesquisa científica e tecnológica nas áreas de bioenergia, fármacos e novas tecnologias: BG Brasil Ltda. (BG Group), BP Biocombustíveis, Glaxo SmithKline-Brasil (GSK), Peugeot Citröen do Brasil Automóveis e Whirlpool.

Entre as instituições de ensino com quem a Fapesp tem projetos de pesquisa conjuntos, incluem-se o King's College, do Reino Unido, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos, e a Universidade de Toronto, do Canadá - além de muitas outras.

Nessa estratégia de aumentar o diálogo entre pesquisadores de São Paulo e de outros países, inclui-se o programa Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), com a participação de destacados cientistas do exterior - vários destes são Prêmios Nobel -, que vêm a São Paulo dividir seu conhecimento com colegas paulistas.

Como parte desse esforço, a Fapesp vem realizando eventos em outros países, nos quais pesquisadores de São Paulo e das nações anfitriãs dialogam sobre seus projetos atuais e conhecem mais a fundo seus métodos de trabalho e descobertas, estimulando, dessa maneira, a interação em rede.

Em 2011 realizou-se em Washington - com a National Science Foundation, o Brazil Institute do Woodrow Wilson Center e a Ohio State University - a primeira Fapesp Week. Este ano, em Toronto, Boston e Morgantown, com as Universidades de Toronto e West Virginia, do MIT e do Brazil Institute, foi realizada nova Fapesp Week.

Na semana passada, em Salamanca e Madri, com o apoio da Universidade de Salamanca e da Casa do Brasil em Madri, ocorreu o seminário Fronteras de La Ciencia. Em março, com a Japan Society for the Promotion of Science e a colaboração da Embaixada do Brasil, será realizado em Tóquio o Simpósio Brasil-Japão de Colaboração em Pesquisa. Em junho, evento similar em Beijing.

Como ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, sempre atento à qualidade da inserção do nosso país no mundo, e agora, com a atual missão de presidir a Fapesp, estou a cada dia mais convicto de que a cooperação científica é um dos elementos para favorecer o entendimento entre os povos. Num mundo fragmentado, a ciência une, porque os pesquisadores compartilham os valores relacionados ao avanço do conhecimento, entre eles o da curiosidade intelectual, o da objetividade, o da racionalidade e o do diálogo entre os pares. Essa é mais uma razão de ordem global que justifica a presença da Fapesp no mundo, com benefícios para o País.

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