A indústria ainda contrata, mas os salários baixam

A produção industrial continua crescendo, mas também a inflação - é o que se pode deduzir da Pesquisa Industrial Mensal, Emprego e Salários (Pimes) do IBGE para o mês de abril, que confirma divulgação anterior do IBGE sobre a produção física e dos Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apenas enriquecendo a análise.

, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2010 | 00h00

O que se verifica é que o setor continua apostando num aumento do consumo. Este, por sua vez, só cairá se houver diminuição do poder aquisitivo, que começa a aparecer nas estatísticas e que a divulgação de alguns índices de inflação das últimas semanas pode agravar.

O pessoal ocupado assalariado do setor industrial aumentou 0,4%, ante o mês anterior, na série livre de influências sazonais, e 3,3%, sem o ajuste sazonal - o mais forte aumento registrado desde fevereiro de 2008. A indústria, que procura reduzir seus custos, não contrataria pessoal se não estivesse havendo crescimento da produção. O aumento do emprego já fora assinalado pela CNI com a mesma proporção (0,4%, em termos dessazonalizados).

O que se pode estranhar é que a CNI acusa uma queda do faturamento real de 4,9% (dados dessazonalizados) e de 10,2% (dados absolutos). Isso reflete o efeito da inflação sobre os bens produzidos. Os dados da Pimes mostram que o crescimento do emprego foi quase generalizado nos setores industriais: dos 19, apenas 8 acusam uma redução.

Todavia, os dados do IBGE mostram um outro ponto importante: a Folha de Pagamentos Nominal acusa um crescimento de 11%, refletindo o número de horas pagas, que cresceu 4,2%. No entanto, a Folha de Pagamentos Real, que aumentara 5,6% em março, apresentou aumento menor, de 5,4%, em abril, mostrando que a inflação começa a reduzir o poder aquisitivo dos assalariados, que dentro de alguns meses pode acumular perda significativa.

A Folha de Pagamentos Média Real, que havia crescido de 3,1%, em março, aumentou apenas 2%, em abril, o que parece indicar que a contratação de pessoal na indústria, diante das dificuldades para encontrar pessoal qualificado (cujos salários são mais elevados), se concentrou mais em mão de obra de menor qualificação.

Dessa análise se podem destacar algumas conclusões: a indústria continua contratando, isto é, produzindo mais; os salários reais estão se reduzindo com a inflação; e o número de horas pagas aumenta para melhor utilizar a capacidade disponível.

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