A indústria e a política cambial

Nos primeiros sete meses do ano a exportação de produtos manufaturados caiu 31,1%, ante o aumento de 9,1% em todo o ano de 2008. Enquanto 14,4% da produção industrial nacional era exportada, em 2005, a partir de 2006 tivemos uma redução constante dessa participação, com 12,7% no primeiro semestre deste ano.Isso tem sido atribuído, em primeiro lugar, à crise mundial, mas também à valorização do real ante o dólar, que torna os produtos brasileiros mais caros lá fora. Daí a ampla discussão em torno da necessidade de mudar a política cambial.Não se pode negar que o câmbio é um fator importante nas dificuldades da exportação de produtos manufaturados, mas temos de considerar outros fatores.Um dos principais é certamente a concentração excessiva de nossas exportações de manufaturados para os países latino-americanos, que, graças ao Mercosul e à menor exigência de sofisticação dos produtos, têm sido os maiores compradores desses bens - desde que se excluam os aviões do total das exportações.Esses países foram mais atingidos do que o Brasil pela crise mundial e reduziram suas importações de produtos brasileiros. A participação da América Latina e do Caribe nas nossas exportações caiu de 25,2% para 21,2% nos sete primeiros meses do ano, acusando ainda redução de 25,8% para 23,8% no total de nossas exportações.Uma mudança da política cambial - que apresentaria graves inconvenientes e que divide os economistas - não nos parece oportuna. O Banco Central continua praticando uma política de intervenção, com suas compras de dólares, que parecem guiadas pelo resultado do fluxo cambial. Com isso o Brasil se encontra entre os países que têm as maiores reservas internacionais e assim se protege contra dificuldades no balanço de pagamentos.Se nenhuma medida proposta de modificação da política cambial parece satisfatória, cabe procurar outro caminho para tornar os produtos brasileiros mais aptos a enfrentar a concorrência internacional.É evidente que deveríamos procurar melhorar a qualidade dos produtos exportados por meio de avanços tecnológicos que favorecessem a inovação. Mas uma intervenção mais pronta seria oferecer melhor infraestrutura de transporte terrestre, marítimo e portuário, além de aliviar a carga tributária das empresas, o que compensaria os inconvenientes do câmbio valorizado. ]

, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

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