A indústria nacional não está em fase de recessão

O IBGE havia mostrado que, em maio, a produção física da indústria estagnara. Alguns dias depois, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou seus indicadores para o mesmo mês, elaborados com base no faturamento real, apontando um crescimento de 2,1% em termos dessazonalizados, depois de uma queda de 10,2% no mês anterior.

, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2010 | 00h00

Porém, o título do comunicado da CNI - UCI (Utilização da Capacidade Instalada) interrompe o crescimento em maio - leva em conta que a UCI caiu de 82,8, em abril, para 82,3, no mês seguinte. No entanto, todos os outros indicadores apresentam, além do faturamento real, uma variação positiva: horas trabalhadas (+1,9%); emprego (+0,4%); massa salarial real (+1,6%); e rendimento médio real (+0,8%). Dados que confirmam, aliás, a Pesquisa Mensal de Emprego e Salário (Pimes), do IBGE, divulgada ontem, mostrando crescimento de 4,2% do pessoal assalariado e de 3,7% da folha de pagamento real.

Não estamos diante de um quadro recessivo, e pensamos que a indústria continua investindo - o que pode gerar, num determinado mês, uma capacidade de produção acima das necessidades - ou que as novas máquinas, mais modernas, têm uma produtividade maior.

É curiosa, porém, essa tendência da indústria de querer dar a impressão de que entramos numa fase ruim da produção, certamente para alertar as autoridades sobre a necessidade de voltar aos incentivos oferecidos para enfrentar a crise e de deixar de aumentar a taxa básica de juros.

No entanto, temos de reconhecer que o faturamento real já ultrapassou o nível pré-crise, embora a UCI continue um pouco atrás, o que consolida nossa hipótese da modernização dos equipamentos.

Não se trata de manter incentivos para alguns setores, mas sim de perceber a lição dos incentivos, ou seja, que uma redução de preços por causa de menor carga tributária favorece um aumento das vendas, sem reduzir a arrecadação.

A elevação da taxa básica de juros busca moderar o superaquecimento da demanda, que favorece uma alta de preços, isto é, uma redução do poder aquisitivo da população, e o excesso de importações, que eleva o déficit da balança comercial.

Isso dito, pode-se questionar a criação de novas "zonas francas" que têm um objetivo meramente eleitoral, quando se verifica que estamos importando bens de consumo duráveis que poderíamos, pelo menos, montar no Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.