A indústria paulista volta afinal a contratar

Pesquisa da Fiesp/Ciesp que mostra saldo de 6,5 mil vagas em janeiro surpreende, já que normalmente a melhora nos níveis de emprego só é observada quando o processo de retomada do crescimento está avançado

O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2017 | 04h00

A notícia de que a indústria paulista voltou a contratar pessoal, além de alvissareira, é de certo modo surpreendente. Normalmente, quando a indústria se recupera de uma crise, a melhora nos níveis de emprego só é observada quando o processo de retomada do crescimento está avançado. Isso ocorre porque a indústria está saindo de um período em que operou com elevada capacidade ociosa e, por isso, só passa a contratar quando as condições econômicas o exigem. Chega a surpreender, assim, a informação do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp de que a indústria paulista registrou saldo positivo de 6,5 mil vagas em janeiro, uma variação positiva de 0,31% em comparação com dezembro de 2016, sem ajuste sazonal. É o primeiro resultado positivo no emprego desde abril de 2015, ou seja, há 20 meses.

Em confronto com janeiro de 2016, o resultado do mês passado ainda é negativo, com recuo de 5,73%. Contudo, é preciso considerar que a indústria instalada no Estado de São Paulo tem enfrentado uma das piores crises de sua história, bastando dizer que, nos últimos três anos, perdeu 518 mil postos de trabalho, sendo obrigada a dispensar até mesmo trabalhadores altamente qualificados.

Nota-se ainda que, em dezembro, quando a produção industrial brasileira cresceu 2,3%, o faturamento da indústria de São Paulo acusou queda de 1,5%. Com a reação do emprego em janeiro, espera-se que a indústria paulista, depois de ter ido ao fundo do poço, esteja a caminho da recuperação. A pesquisa realizada em janeiro indica que 15 setores contrataram empregados, 3 apresentaram resultados negativos e 4 permaneceram estáveis.

Como observou a Fiesp, 68% dos setores pesquisados apresentaram crescimento no emprego em decorrência do aumento da produção. “Esse dado pode ser um sinal de que finalmente estamos num processo de retomada da geração de empregos”, disse o presidente da entidade, Paulo Skaf. Isso significaria a reabertura de oportunidades de trabalho para profissionais mais qualificados.

O maior impulso veio da indústria instalada no interior do Estado, com variação positiva de 0,43%, enquanto que a taxa para a Grande São Paulo ficou em 0,14%. Os setores que mais contrataram foram de produtos de borracha e material plástico, ao lado de confecções e artigos de vestuário.

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