A indústria tarda em se recuperar

Números de setembro de sondagem da CNI mostram que a queda da produção industrial entre agosto e setembro foi mais intensa do que a registrada em igual período de 2017

O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2018 | 04h00

Os indicadores mais recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelam as dificuldades enfrentadas pelo setor secundário para sair da crise. Os números de setembro da Sondagem Industrial da CNI mostram que a queda da produção industrial entre agosto e setembro foi mais intensa do que a registrada em igual período de 2017, quando o País saía da recessão.

Pesquisa com 2.190 empresas realizada entre 1.º e 15 de outubro revela que os problemas atingem empresas industriais de todos os portes. As grandes empresas, por exemplo, sofrem mais intensamente com a demanda interna insuficiente, a falta ou alto custo da matéria-prima e com a taxa de câmbio.

Já as pequenas empresas são mais atingidas por elevada carga tributária, falta de capital de giro, taxas de juros elevadas, falta ou alto custo da energia, competição desleal e burocracia excessiva.

É possível que alguns dos problemas citados perca relevância nas próximas pesquisas, caso do câmbio, graças à desvalorização do dólar ante o real nas últimas semanas.

Não há, na Sondagem, motivos para alarme. Aumentou, no trimestre julho/setembro, a satisfação das indústrias com o lucro operacional e com a situação financeira, tanto em relação ao trimestre anterior como a igual período do ano passado. O acesso ao crédito também é percebido como menos difícil, embora os indicadores ainda estejam abaixo dos 50 pontos, ou seja, no campo negativo.

Em setembro de 2018, a utilização da capacidade instalada caiu em relação a agosto, mas foi superior à verificada nos meses de setembro de 2015, 2016 e 2017. Cabe lembrar que setembro, sazonalmente, é um mês ruim para a indústria.

As expectativas dos empresários caíram em relação a agosto, mas ainda estão no campo positivo. Mais importante, a intenção de investir permanece estável e no campo positivo, com 50,9 pontos. As empresas têm operado com cautela, como evidenciam os estoques, que estão apenas ligeiramente acima do planejado, sem causar preocupações.

Outros indicadores relativos a setembro são mais favoráveis, como o aumento do emprego formal industrial avaliado pelo governo. Indicações mais claras sobre a política econômica do próximo presidente poderão aumentar a confiança dos consumidores, em benefício da indústria.

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