A inflação ameaça, mas o setor imobiliário é otimista

Segundo a sondagem trimestral da FGV e do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), os índices de otimismo das construtoras voltaram ao recorde histórico de maio de 2008, quando o mercado estava superaquecido. Há crescimento generalizado da demanda, em âmbito nacional, nas mais diversas faixas de renda, inclusive nas de menor poder aquisitivo, que se beneficiam com os incentivos do governo para a compra da casa própria.

, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2010 | 00h00

A pesquisa, com 218 empresas de todo o País, registrou um índice de 59,95 pontos (acima de 50 ele é positivo). Em termos nacionais, o índice subiu 5%, comparado a fevereiro, e 30,5%, em relação a maio de 2009. Em São Paulo cresceu 6,5%, no trimestre, e 32,4%, em 12 meses. E as perspectivas de bom desempenho aumentaram 1%, no último trimestre, e 20,5%, em 12 meses.

Ampliou-se a base geográfica de expansão da construção - que depende menos de grandes cidades do Sudeste e do Sul, como São José dos Campos, Campinas, Ribeirão Preto, Uberaba ou Londrina, e mais de capitais médias como João Pessoa e Maceió ou cidades como Vila Velha, Campo Grande, Lauro de Freitas e Caruaru.

O emprego é um termômetro que mede o desempenho do setor. Enquanto as principais regiões metropolitanas ofereceram 146 mil vagas entre maio de 2009 e abril de 2010 (menos da metade dos novos empregos na construção no período, segundo os dados do emprego formal do Caged), no Nordeste foram abertas quase 100 mil vagas, mais do que na Região Sul (37 mil), na região metropolitana de São Paulo (46 mil) e próximo das 120 mil vagas de toda a Região Sudeste. A Bahia abriu 31 mil vagas; o Ceará, 19 mil; Pernambuco, 16 mil; e o Piauí, 10 mil. Mesmo excluindo as regiões metropolitanas, a Bahia criou quase 9 mil postos e Pernambuco e Ceará, mais de 3 mil cada um.

Também cresceu muito a demanda de insumos básicos, como cimento, areia, cal, cerâmicas e vidros. A participação do Nordeste na demanda de cimento passou de 17%, em 2006, para 21,1%, em fevereiro, conforme dados do Sinduscon do Ceará.

A demanda aquecida provocou aumento dos preços de itens como cimento, emulsão asfáltica, concreto e blocos de concretos, além de aço e janelas de correr, itens com reajustes entre 1,23% e 3,13%. Pressões sobre os preços dos imóveis poderão dificultar as vendas para os mutuários de renda baixa ou média baixa, mais afetados pela inflação. O boom imobiliário decorreu de aumento da renda dos trabalhadores, da formalização do emprego e do crédito, mas depende muito da oferta de áreas.

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