A influência da redução do IPI

A indústria automobilística apresentou, em maio, aumento de vendas de autoveículos de 5,4%, em relação a abril, e de 2,1%, sobre maio de 2008, resultados melhores que os da produção, que subiu 6,7% sobre abril, mas caiu 7,7%, confrontada com a do mesmo mês de 2008. Vê-se, pois, o quanto a redução de tributos favorece as vendas, porque, comparativamente com a indústria em geral, o setor se saiu bem melhor.A produção de maio de 2008 atingiu 292,7 mil unidades e a do mês passado, 270,2 mil. Comparando o período janeiro-maio de 2008 e 2009, a produção caiu de 1,38 milhão de unidades para 1,19 milhão (-14,2%). Nos últimos 12 meses, até maio, foram produzidos 3,02 milhões de autoveículos, 6,4% menos do que nos 12 meses anteriores.Mas os resultados totais só foram negativos por causa da exportação, que respondeu por 20,8% da produção nos primeiros cinco meses de 2008 e por 14,9%, em 2009. Houve queda de 44,6% nas exportações de veículos leves, de 71,2% nas de caminhões e de 48,9% nas de ônibus. Entre maio e abril, a exportação cresceu 8,1%, mas ficou 24% abaixo da de maio de 2008.Já o mercado interno "conseguiu alcançar o mesmo tamanho de 2008", notou o presidente da associação das montadoras (Anfavea), Jackson Schneider. Em março, último prazo de vigência da redução do IPI (depois dilatado para junho), as vendas no mercado interno foram de 236,2 mil veículos, 13% acima das de março de 2008. Espera-se que este mês também seja favorável, com maior oferta de crédito e prazos mais dilatados.A crise global não tem apenas impactos desfavoráveis sobre as montadoras, pois trouxe redução do preço do minério, o que afeta o preço do aço - um dos principais insumos do setor. Isso poderá baratear o custo da produção, permitindo manter a competição com os veículos importados, que se beneficiaram com a queda do dólar. Entre janeiro e abril foram licenciados 169,1 mil veículos importados, 18,8% mais do que em 2008.Um dado relevante está no ingresso de investimento direto estrangeiro, que triplicou, de US$ 607 milhões para US$ 1,955 bilhão, entre os primeiros quadrimestres de 2008 e de 2009. É prova de que o setor é atrativo para o investidor.É evidente que o mercado, no curto prazo, foi estimulado pela queda de impostos, mas será melhor que a redução seja mantida, pois não só estimula a produção e as vendas, mas espalha efeitos favoráveis sobre toda a cadeia produtiva de autos.

, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

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