A infraestrutura necessária

Reduzir os custos de produção e aumentar a competitividade do Brasil exigiriam um investimento mínimo de R$ 1,7 trilhão em mais de 2,6 mil projetos essenciais

O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 03h00

A solução dos problemas da infraestrutura de transporte e a criação das condições para que as diferentes modalidades se tornem mais eficientes, de modo a reduzir os custos de produção e aumentar a competitividade do Brasil, exigiriam um investimento mínimo de R$ 1,7 trilhão em mais de 2,6 mil projetos essenciais.

Decerto são números que espantam, sobretudo em razão da terrível crise das finanças públicas deixada pela irresponsabilidade política e administrativa dos governos lulopetistas e que, se não enfrentada com rapidez e coragem pelo próximo governo, poderá levar à paralisia de obras e interrupção de serviços públicos. Mas são também números que mostram quanto o País se atrasou na tarefa de expandir, modernizar e melhorar o sistema de transportes e quanto custa superar esse atraso.

Igualmente mostram a importância decisiva do investimento privado na recuperação da infraestrutura do País, e não apenas a de transportes. Isso exigirá do próximo governo planos de privatização e de concessões com regras equilibradas, que assegurem a rentabilidade do investimento e deem segurança aos investidores, ao mesmo tempo que garantam a prestação de serviços adequados aos usuários e a preços toleráveis. A carência de infraestrutura exigirá decisões rápidas.

Os números citados constam do Plano CNT de Transporte e Logística 2018 elaborado pela Confederação Nacional do Transporte, que pode servir de base para o planejamento da ação do próximo governo. O objetivo da CNT ao elaborar o plano foi identificar as intervenções mais relevantes e os investimentos necessários para desenvolver a infraestrutura de transporte no País.

São, obviamente, investimentos vultosos e de longo prazo, razão pela qual a escolha das prioridades deve ser rigorosa e, na sugestão da CNT, “privilegiem os projetos de maior abrangência e impacto para a sociedade”. Os projetos listados pelo plano da CNT levam em conta a infraestrutura existente e os gargalos existentes nas operações dos quatro modais: rodoviário, ferroviário, aéreo e aquaviário.

Os custos logísticos no Brasil são bem maiores do que o de outros países, quando comparados com os respectivos Produtos Internos Brutos (PIB). Esses custos incluem os gastos com estoque, armazenamento e administrativos, além dos relativos a transportes. Em 2016, segundo a CNT, os custos logísticos no Brasil corresponderam a 12,3% do PIB, bem mais altos do que os observados nos Estados Unidos, de 7,8% do PIB. Não sem razão, por isso, num grupo de 137 países, o Brasil ocupa a 65.ª posição quanto à infraestrutura de transportes, de acordo com avaliação do Fórum Econômico Mundial.

A precariedade se estende para todos os modais de transportes. O estudo da CNT afirma que, no âmbito do transporte aéreo, apesar dos ganhos de eficiência e do aumento da capacidade operacional nos aeroportos concedidos à iniciativa privada, ainda faltam investimentos na construção e ampliações de terminais, bem como na melhoria das pistas.

No transporte rodoviário, persiste o alto índice de rodovias consideradas de má qualidade, em razão do mau estado da pavimentação e de outros problemas. O planejamento deficiente e a escassez de recursos públicos retardam a ampliação da malha e a modernização de equipamentos e material rodante. Já o transporte marítimo enfrenta as restrições decorrentes da urbanização intensa nas áreas da infraestrutura portuária, dos gargalos nos acessos terrestres e na escassez de áreas para a ampliação dos serviços.

Os projetos sugeridos pela CNT são apresentados em dois grandes conjuntos. O primeiro é de projetos de integração nacional, que incluem grandes rotas de escoamento e captação de produtos e de movimentação de pessoas entre as regiões do Brasil e países vizinhos. Há também o conjunto de projetos urbanos, envolvendo sobretudo o transporte de passageiros. É material de grande utilidade para os gestores do setor de transportes.

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