A lição da ajuda ao setor automotivo

No encontro preparatório da reunião do Grupo dos 20, os ministros da Fazenda concordaram em que a consolidação da recuperação econômica exige que se mantenham ainda as medidas antirrecessão.

, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Um exemplo são os números da indústria automobilística divulgados pela Anfavea. As vendas de veículos no mercado brasileiro acusaram a segunda queda mensal consecutiva: de 6,9%, em julho, e de 9,6%, em agosto. Sinal de que o retorno gradual do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), cuja redução termina no fim de setembro, inibiu as vendas, independentemente de uma possível saturação do mercado.

No entanto a medida não foi inútil, pois, em confronto com agosto de 2008, as vendas de carros subiram 5,5% e 2,7% ante o mesmo período de oito meses de 2008.

A produção de carros cresceu pelo oitavo mês, com alta de 4,4% ante o mês anterior, embora tenha ficado 5,7% abaixo da produção de agosto de 2008, enquanto, no acumulado do ano, até agosto, houve queda de 11,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Isso não surpreende, pois desde o final de 2008 a indústria, durante alguns meses, respondeu à demanda doméstica por meio da redução dos seus estoques, bastante elevados.

Um outro fator explica essa evolução: a queda de 44,4% das exportações, em volume, nos oito primeiros meses. Mas em agosto exportou-se 21% mais do que em julho, uma reação positiva.

Em valor, as exportações apresentaram um avanço de 15% sobre julho, mas queda de 30,4% sobre agosto de 2008. Deve-se registrar que, com a valorização do real ante o dólar, as importações em agosto superaram as exportações em valor.

As vendas internas de máquinas agrícolas no atacado apresentaram elevação de 5%, sobre julho, e redução de 7,4%, no acumulado do ano, ante o mesmo período de 2008. O fato de que se registra uma alta pela segunda vez consecutiva é sinal de melhora da atividade do setor agrícola.

Cabe, naturalmente, a pergunta sobre se a ajuda recebida pelo setor automobilístico favoreceu o aumento do emprego. Houve, de fato, um aumento do emprego no setor - de 1,1% em agosto, sobre julho, indicando uma visão positiva das montadoras para os próximos meses. Porém houve queda de 7,4% ante o mesmo mês de 2008, o que se explica pela queda das exportações e pelo uso dos estoques. O problema é saber se, com o aumento dos preços dos carros e a saturação da demanda, o quadro não mudará.

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