A limpeza da Guarapiranga

O Programa Nossa Guarapiranga começou com a instalação de 11 barreiras para contenção de lixo nos deltas dos principais córregos que deságuam na represa, um dos principais mananciais da região metropolitana de São Paulo. O lixo que polui suas águas será bloqueado por telas submersas e depois coletado e levado para aterros sanitários. Esse novo sistema de proteção da qualidade ambiental da Represa de Guarapiranga permitirá recolher pelo menos 20 metros cúbicos de resíduos por dia. O programa tem duração prevista de 28 meses e exigirá investimentos de R$ 12,2 milhões para reduzir a poluição das águas da represa e ajudar a conter a ocupação das Áreas de Preservação Permanente (APPs).

O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2012 | 03h05

Construída em 1906, a represa abastece cerca de 3,5 milhões de moradores da região metropolitana. Nas últimas quatro décadas, à medida que se reduziu a disponibilidade hídrica da região, Guarapiranga foi duramente castigada pela ocupação desenfreada de seu entorno que, embora protegido por lei, foi tomado por loteadores clandestinos. Em muitos casos, eles agiram acobertados por políticos que prometiam anistia aos imóveis irregulares para conquistar votos dos invasores. O resultado disso é que, dos 639 quilômetros quadrados da Bacia Hidrográfica de Guarapiranga, estima-se que apenas 37% continuam preservados. Pelo menos 1 milhão de pessoas moram nas margens da represa. A sua deterioração faz o custo do tratamento de água do manancial ser três vezes superior ao do Sistema Cantareira.

Só no início dos anos 90 a represa começou a merecer a atenção do governo do Estado e das prefeituras de São Paulo, Embu, Itapecerica da Serra e Embu-Guaçu, que instituíram então o Programa Guarapiranga, para reduzir os efeitos da sua degradação. Financiado pelo Banco Mundial, o projeto consumiu US$ 336 milhões, além de outros US$ 94 milhões investidos pela Sabesp, e teve como resultado o aumento das áreas verdes, a reurbanização do espaço público e a criação de áreas de lazer para a população carente.

Em 2006, foi aprovada a Lei Específica de Guarapiranga que criou instrumentos para melhor preservar a área, como a Operação Defesa das Águas, planejada para controlar, recuperar e urbanizar as redondezas de Guarapiranga e a Represa Billings. Entre os principais resultados dessa operação estão a criação de uma divisão especial da Guarda Civil Metropolitana e uma Delegacia de Meio Ambiente para aumentar o policiamento nos dois mananciais. Compõem ainda o esforço do governo estadual para a recuperação do reservatório o Programa Vida Nova Mananciais, que revitaliza o entorno das represas; o Orla Guarapiranga, planejado para a instalação de parques e praças às margens do manancial e, assim, evitar novas ocupações irregulares; e a criação de parques ao longo de todo o Trecho Sul do Rodoanel. Já em andamento, a terceira fase do Projeto Tietê, concentrada na coleta e tratamento de esgoto, também beneficiará significativamente Guarapiranga.

A Prefeitura de São Paulo se uniu ao governo do Estado para cuidar dos cursos de água que desembocam na represa. O Programa Córrego Limpo foi criado em 2007 com o objetivo de tratar, em duas fases, cem córregos da capital. No ano passado foram concluídas as obras, que beneficiaram 1,6 milhão de pessoas e despoluíram uma área de 152 quilômetros quadrados. Mil litros por segundo de esgoto deixaram de ser lançados nos cursos de água.

Além da coleta de resíduos das águas, o Programa Nossa Guarapiranga promoverá ações de reflorestamento e paisagismo. Já estão sendo plantadas mil mudas nativas em ilhas e nas margens da represa. Outra frente do projeto é o controle das plantas aquáticas, que comprometem a qualidade das águas e prejudicam o lazer e os esportes náuticos.

Esse conjunto de iniciativas do Estado é importante para assegurar a disponibilidade hídrica da região metropolitana. As prefeituras da região podem e devem complementar esse esforço.

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