A locomotiva chinesa vai bem

Maior parceira comercial do Brasil e terceira maior economia do mundo, a China mantém um vigoroso ritmo de produção, com crescimento de 9,2% em 2011, bem superior à meta oficial. Depois da expansão de 10,2% em 2010, o governo havia programado um aumento de 8% para o Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, para conter a inflação e corrigir desequilíbrios, mas os freios parecem ter sido menos eficientes do que previam as autoridades. Os números da economia chinesa, divulgados ontem, ajudaram a compor um quadro global mais promissor, animaram as bolsas em todo o mundo e estimularam novos aumentos de preços do petróleo e dos metais.

O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2012 | 03h06

Também na Europa houve sinais positivos, apesar do rebaixamento do fundo regional de resgate, a Linha Europeia de Estabilização Financeira, anunciada na segunda-feira pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P). O fundo emitiu sem dificuldade títulos de seis meses no valor de 1,5 bilhão. Espanha e Grécia também rolaram seus papéis sem grandes problemas, apesar do suspense em torno da negociação em curso do governo grego com os bancos.

No caso da China, as principais novidades vieram com os dados do quarto trimestre do ano passado. O PIB do período foi 8,9% maior que o de um ano antes, resultado ligeiramente superior ao previsto por economistas do mercado financeiro. No terceiro trimestre, a produção havia sido 9,1% maior que a de igual período de 2010. Há, portanto, uma desaceleração, mas muito suave. Números de crescimento no primeiro e no segundo trimestres foram corrigidos para cima pelo Escritório Nacional de Estatísticas.

A economia chinesa tem sido afetada pela crise nos grandes mercados do mundo capitalista, mas, apesar disso, tem mantido sua posição como maior potência exportadora. No ano passado a China faturou US$ 1,9 trilhão com exportações e gastou US$ 1,7 trilhão com importações. As vendas ao exterior foram 20,3% e, as compras, 24,9% maiores que as de 2010, segundo informações do Ministério do Comércio. O aumento das compras no exterior tem sido a principal contribuição da China para a recuperação da economia global. Além disso, o país se mantém como principal detentor de títulos da dívida americana, com um estoque de cerca de US$ 1,2 trilhão.

Para o Brasil, a China tem sido a principal fonte de receita comercial. As exportações brasileiras para o mercado chinês, no ano passado, renderam US$ 44,3 bilhões, 43,9% mais que no ano anterior. As importações de produtos chineses cresceram 28,1% e chegaram a 32,8 bilhões. Além de principal comprador de produtos brasileiros, o mercado chinês é o nosso segundo maior fornecedor, superado pelos Estados Unidos, com US$ 34,2 bilhões vendidos ao Brasil no ano passado. Os Estados Unidos permanecem, no entanto, como importante comprador de manufaturados brasileiros, enquanto a China praticamente só compra commodities.

O dinamismo da economia chinesa tem sido um importante fator de sustentação dos preços dos produtos básicos. As vendas desses produtos têm garantido o superávit comercial do Brasil. Somente graças a isso o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos vem sendo mantido em proporções administráveis.

A dependência brasileira em relação ao mercado chinês vem-se tornando, no entanto, excessiva e perigosa. Não há nenhum mal em exportar grandes volumes de produtos básicos e semimanufaturados, mas é muito ruim perder espaço no comércio de manufaturados por problemas de câmbio e principalmente por excesso de custos.

Além de ser a principal fonte de receita comercial para o Brasil, a China é também a principal potência competidora. Tem tomado espaço da indústria brasileira tanto no mercado externo como no interno. Isso se explica em parte pela desvalorização da moeda chinesa e em parte por outros fatores de competitividade. Enquanto os brasileiros não melhoram o poder de competição de sua indústria, o remédio é continuar dependendo da exportação de commodities. Para isso, a contribuição chinesa é, por enquanto, insubstituível. Também por isso a prosperidade da China é uma bênção.

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