A manutenção das vias

Nos primeiros sete meses do ano, a Prefeitura recapeou apenas 14 quilômetros de vias públicas em São Paulo, o equivalente a 0,1% dos 15 mil quilômetros de ruas e avenidas asfaltadas da capital. Pelos dados publicados no portal da Prefeitura, vê-se que, entre 2005 e 2008, foram recapeados 871 quilômetros, 217 quilômetros por ano, em média. Esse serviço foi interrompido em fevereiro, quando o então secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, anunciou o congelamento dos recursos a ele destinados, no processo de ajuste orçamentário motivado pela queda de arrecadação que se seguiu à crise econômica mundial.

, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2009 | 00h00

Seis meses depois, pouco antes de deixar o cargo, o secretário Andrea Matarazzo afirmava que ainda não tinha uma previsão de quanto será destinado ao programa neste ano. Numa cidade com uma frota de 6,3 milhões de veículos, que tem no trânsito um dos seus principais problemas, garantir a fluidez na malha viária é essencial para reduzir os acidentes, os congestionamentos, a poluição, o desperdício de combustível e de tempo.

Cada dia, 4,5 milhões de veículos circulam efetivamente pelas ruas de São Paulo e, desses, 220 mil são caminhões. Esse tráfego gera pelo menos mil buracos por dia na desgastada pavimentação, em épocas de seca. Nos períodos de chuvas, o número dobra.

Com a ampliação do serviço de tapa-buracos e contando com os recapeamentos já realizados em anos anteriores, a administração municipal tentava reduzir esse problema. Entre janeiro e julho, fechou 58 mil buracos por mês. No entanto, o balanço do primeiro trimestre do ano, feito pela Ouvidoria-Geral da Prefeitura de São Paulo, revela que houve um aumento de 51% no número de reclamações sobre buracos nas ruas, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

O governo municipal admitiu que houve atrasos na licitação para a contratação dos serviços e explicou que, em períodos de chuvas, o asfalto se desgasta com maior intensidade. E neste ano as chuvas não deram trégua nem no inverno, o que só piorou as condições das ruas.

Tapar buraco é rotina, e é um serviço a ser feito com urgência, para evitar a deterioração do asfalto em torno da cratera e dar segurança a pedestres e motoristas. Muitas vezes, no entanto, a pressa e a má qualidade do serviço transformam os buracos em saliências de pedra e asfalto que prejudicam tanto quanto as crateras a fluidez do trânsito e a segurança dos veículos.

Até os corredores de ônibus estão em más condições. Dados do Sistema de Execução Orçamentária (SEO) da Prefeitura mostram que apenas 18,86% das verbas previstas para manutenção de corredores foram gastos até agora. Durante o ano de 2008, foram gastos 79,3% dos recursos previstos.

No mês passado, numa segunda-feira, um ônibus ficou com a roda traseira presa em uma cratera na esquina da Avenida Brasil com a Rua Colômbia, na nobre região dos Jardins. A Prefeitura dera por concluídas as obras de reparo naquele local, no fim de semana. No primeiro dia útil, porém, o chão afundou novamente, o que atesta a má qualidade do serviço executado.

Como bem explicam os especialistas em infraestrutura de transporte, serviço de tapa-buraco é emergencial. O que a Prefeitura precisa fazer é manutenção capaz de assegurar a maior durabilidade da pavimentação. Em reportagem publicada há dias pelo Estado, fontes da secretaria das Subprefeituras lembraram que, quando a média de recapeamento das ruas da cidade era de 222 quilômetros por ano, aproximadamente 65 mil buracos deixavam de surgir nas vias da cidade. Isso representava uma economia de R$ 4,6 milhões com o serviço de tapa-buracos.

Congelar de um lado para gastar de outro é decisão que não se justifica quando a meta é economia. Além de ser obrigada a investir mais em tapa-buraco para compensar a paralisação das obras de recapeamento, a cidade ainda perde com os prejuízos provocados pelos acidentes e congestionamentos, que pioram com as condições do asfalto.

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