A nova Marginal do Tietê

A Marginal do Tietê será reformada. Há dias, o governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab autorizaram a construção de 23 quilômetros de pistas de cada lado do corredor. Os trabalhos deverão começar neste mês e terminar em outubro de 2010. Além de três novas faixas em cada sentido, a Marginal terá também quatro novas pontes (Complexo Bandeiras, Cruzeiro do Sul, Tatuapé e Complexo Dutra-Castelo Branco) e três viadutos planejados para melhorar a fluidez do trânsito. As obras exigirão investimentos de R$ 1,3 bilhão, divididos entre o governo estadual (R$ 1,1 bilhão) e as concessionárias que administram as Rodovias Bandeirantes-Anhanguera e Ayrton Senna-Carvalho Pinto, que utilizarão recursos do pedágio para a construção.Fonte geradora de transtornos para os paulistanos em geral e para os motoristas que chegam a São Paulo, a Marginal do Tietê é caminho diário de 1,2 milhão de veículos. Registra diariamente, nos períodos de pico, 30 quilômetros em média de congestionamentos, ou 25% do total de lentidão medida em toda a capital. Estudos mostram que esse congestionamento crônico provoca o desperdício de 1,7 milhão de horas/ano de quem nele fica preso, sem poder atender a seus compromissos, além de 1,5 milhão de litros de combustível por ano consumidos pelos veículos que trafegam em marcha lenta. Os danos provocados pela poluição são imensuráveis.A concessionária AutoBan investirá R$ 125 milhões na construção de 4,2 quilômetros, entre o viaduto da CPTM, na região da Lapa, até o Cebolão. A EcoRodovias será responsável pela ampliação de faixas entre o Tatuapé e a Rodovia Ayrton Sena a um custo de R$ 73 milhões. Pelo Estado, a Dersa construirá 15,2 quilômetros desde o viaduto CPTM até a confluência com a Rua Ulisses Cruz, no Tatuapé. Conforme os técnicos que prepararam o projeto de ampliação da Marginal do Tietê, os gargalos de trânsito dos bairros do Tatuapé, Bom Retiro e Santana serão em boa parte resolvidos e estima-se que o tempo das viagens terá redução de 35%, com a construção das novas pontes e viadutos. Também quem chega e parte de São Paulo pelas Rodovias Castelo Branco, Ayrton Senna, Dutra, Fernão Dias, Anhanguera e Bandeirantes terá maior tranquilidade.O governador José Serra afirmou que, mais do que a ampliação das pistas, o projeto trata da recuperação ambiental da Marginal do Tietê. Segundo ele, é uma construção que tem "o cuidado ecológico, o que não é tradição em São Paulo, pois as obras e a devastação andavam de mãos dadas". A secretária de Saneamento e Energia, Dilma Pena, informou que o programa de compensação ambiental elaborado para a região prevê o plantio de 83 mil árvores ao longo das pistas e vias de acesso à Marginal. Uma estrada-parque será formada com a construção de uma ciclovia e a reforma das calçadas ao longo dos 23 quilômetros do corredor. Essa área no entorno da Marginal funcionará como uma várzea, absorvendo as águas das chuvas e evitando o transbordamento do rio.Em entrevista ao Estado, o governador José Serra afirmou que o investimento na Marginal não será a solução para o congestionamento da cidade. "Ninguém tem a ilusão de que o problema de trânsito será resolvido só com obras viárias. A expectativa é de aliviar."A explicação de Serra foi, certamente, uma resposta a quem critica o governo por investir na malha viária e, assim, estimular o transporte individual em detrimento do transporte público. Acontece que, em malha viária congestionada, os ônibus também ficam parados. Além disso, é preciso lembrar que o governo do Estado investe, por meio do Plano de Expansão 2007-2010, R$ 20 bilhões para quadruplicar as redes sobre trilhos, em novas linhas de metrô e da CPTM, o que assegurará transporte sobre trilhos para 4 milhões de pessoas até 2014 e reduzirá o tempo de viagens em 25%. A necessidade dos projetos em andamento é inquestionável. Importante será assegurar a continuidade do Plano de Expansão pelos próximos anos para que o atraso do setor de transporte seja superado.

, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

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