A queda do emprego industrial

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), do IBGE, mostrou queda, entre fevereiro e março, do pessoal ocupado (-0,6%), do número de horas pagas (-0,9%) e, ainda mais, da folha de pagamento real (-2,5%). A leve recuperação dos níveis de produção, em fevereiro, não foi suficiente para convencer o setor industrial a interromper o processo de ajuste para baixo da quantidade de mão de obra.Entre março de 2008 e março de 2009, o pessoal ocupado caiu 5% - pior resultado histórico da pesquisa. Comparando os primeiros trimestres de 2008 e 2009, houve recuo de 4%.Avaliadas pelo peso relativo na mostra, as maiores quedas em relação a março de 2008 foram registradas em São Paulo, nas Regiões Norte e Centro-Oeste e em Minas Gerais, com variações negativas entre 4% e 8,6%. Máquinas e equipamentos e produtos de metal, em São Paulo; meios de transporte e vestuário, em Minas; e madeira e alimentos e bebidas, no Norte e Centro-Oeste, foram os setores com maior declínio.Não só o setor de bens de capital foi atingido pela retração dos investimentos, mas até segmentos como alimentos e bebidas, beneficiários do salário mínimo e do Bolsa-Família.A folha de pagamento real da indústria, que havia crescido 1,9% em fevereiro, declinou em março. Na comparação com março de 2008, o recuo foi de 4%, em São Paulo; de 4,8%, em Minas Gerais; e de 4,5%, no Rio Grande do Sul. Como a indústria paga salários melhores, é inevitável o impacto dessa queda sobre o nível de consumo, podendo enfraquecer a retomada econômica prevista para o segundo semestre.Também o número de horas pagas pela indústria apresentou queda pelo sexto mês consecutivo - em dois trimestres houve diminuição de 6,6%.A indústria adiou ao máximo os cortes, que se tornaram inevitáveis ante a queda das exportações, mais do que do mercado interno. A Pimes constata o efeito retardado da queda das vendas e da produção no quarto trimestre do ano passado.Dado o peso da indústria na economia brasileira, os dados confirmam a hipótese de recessão, ou seja, queda por dois trimestres consecutivos.Além do mais, os dados da Pimes indicam que a recuperação da indústria tende a ser lenta e muito dependente da oferta interna de crédito, que estimulará o consumo de bens industriais, e de medidas de alívio tributário, como a diminuição do IPI sobre veículos, geladeiras e materiais de construção.

, O Estadao de S.Paulo

13 de maio de 2009 | 00h00

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