A queda dos investimentos em 2009

O IBGE deverá divulgar hoje os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre do ano. O mais importante será o dado da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - isto é, dos investimentos -, o que se justifica amplamente, pois os investimentos de hoje determinam a produção de amanhã. Além disso, num período de crise, sabe-se que a melhor maneira de superá-la é investindo, especialmente na infraestrutura.

, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

No ano passado a FBCF atingiu o maior resultado dos últimos dez anos, com aumento de 13,8%. No entanto, no primeiro trimestre deste ano se registrou uma redução de 12,6% da FBCF em relação ao último trimestre do ano passado, que já havia apresentado uma FBCF 9,3% menor - ou seja, a tendência de queda se acentuou.

Essa tendência se deveu, de um lado, à indústria, que no início do ano utilizou quase só os estoques para atender à demanda, e, de outro, ao governo, que não conseguiu realizar seus investimentos.

Atualmente a indústria, com nível de utilização da capacidade instalada de 81,3% - muito inferior ao de julho do ano passado (86,7%) -, ainda tem uma margem para aumentar a produção, e isso não a estimula a aumentar seus investimentos, dada a incerteza sobre a evolução da demanda.

Os investimentos do governo, inclusive os do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), apresentaram, nos sete primeiros meses, crescimento de 17,5% das despesas de capital - o que indica que teriam aumentado bastante, sem que se saiba, porém, se não foram inflados pela capitalização do BNDES.

Os dados relativos aos resultados fiscais de todo o setor público (dados abaixo da linha, isto é, medidos pela variação da dívida) mostram que houve em julho crescimento dos gastos das empresas estatais federais (ler Petrobrás), que embutem a elevação dos investimentos.

Malgrado uma melhora para o segundo semestre, as estimativas em relação à FBCF para 2009 variam entre queda de 10% a 15%. Não se deve contar com uma forte reação da indústria, que deverá acusar queda importante neste ano. O PAC enfrenta grandes dificuldades de gerenciamento, de modo que o aumento dos investimentos públicos não deverá compensar a redução dos do setor privado.

Pode ser, no entanto, que a perspectiva de um aumento do PIB em 2010 leve a indústria a voltar a investir - o aumento da demanda por investimentos dependendo da poupança disponível.

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