A queda morosa dos juros de mercado

A taxa média de juros cobrada nos financiamentos a pessoas físicas caiu mero 0,06 ponto porcentual - de 7,39% ao mês, em março, para 7,33% ao mês, em abril, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Salvo um aumento da inadimplência, nada justifica esse recuo aplicado a conta-gotas nos juros de mercado, mostrando que a política dos bancos nesse item tem sido mais conservadora do que a do Banco Central.Nos últimos oito meses, desde a deflagração da crise global, a taxa Selic caiu de 1,10% ao mês, em setembro de 2008, para 0,83%, no mês passado. Mas os juros do cartão de crédito aumentaram de 10,46% para 10,68% ao mês; os do cheque especial caíram apenas de 7,88% para 7,66% ao mês; os do crédito ao consumidor dos bancos, de 3,19% para 2,88% ao mês; o dos empréstimos pessoais dos bancos, de 5,50% para 5,39% ao mês; e os empréstimos pessoais das financeiras, de 11,48% para 11,24% ao mês.A situação se agrava em prazos mais longos: desde setembro de 2005, quando estava em 19,75% ao ano - o nível mais alto dos últimos 67 meses -, a taxa básica caiu 48,1%, para 10,25%, mas a média de juros cobrados das pessoas físicas declinou 5,2%, de 141,1% para 133,7% ao ano. Proporcionalmente, pois, o custo do crédito entre 2005 e 2009 cresceu.Por maiores que sejam as diferenças entre as modalidades de empréstimos, os juros são muito altos, a ponto de causar distorções. Tomadores com capacidade financeira evitam a todo custo os empréstimos, que acabam sendo concedidos aos de menor solvência. A inadimplência não é, portanto, algo acidental, mas consequência direta de taxas e prestações em geral exorbitantes.Na avaliação do economista da Anefac Miguel Ribeiro de Oliveira, "já se começa a perceber, depois de um período econômico muito difícil, que os próprios bancos, que há alguns meses hesitavam em abrir novas contas, estão indo à luta".Mas a parcimônia com que as instituições reduzem as taxas cobradas dos tomadores é incompatível com a desenvoltura com que o Banco Central reduziu a taxa Selic e os bancos cortam os juros nas aplicações.Para a atividade econômica, o mais importante é o custo do crédito, tanto para pessoas físicas como pessoas jurídicas, que pagaram, em média, 4,21% ao mês - ou 64,03% ao ano - nas operações de capital de giro, desconto de duplicatas e cheques e conta garantida.

, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

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