A recuperação chegou também ao setor aéreo

Depois de um período de forte recuo, coincidente com o da recessão de 2014/2016, o transporte aéreo voltou a crescer em 2017, graças ao aumento da demanda tanto no mercado doméstico como no mercado internacional

O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2018 | 03h14

Depois de um período de forte recuo, coincidente com o da recessão de 2014/2016, o transporte aéreo voltou a crescer em 2017, graças ao aumento da demanda tanto no mercado doméstico como no mercado internacional. A retomada foi possível devido à melhora do poder aquisitivo das famílias, que passaram a ter mais recursos para o turismo; da recuperação da demanda das empresas – aparentemente mais lenta do que a das famílias –; e de taxas de câmbio relativamente estáveis (a cotação do dólar oscilou apenas 2% entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017).

Em 2017, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as empresas aéreas brasileiras transportaram 98,98 milhões de passageiros pagantes, 2,9% mais do que os 96,16 milhões de 2016. Os embarques cresceram 11,7% no mercado internacional, de 7,48 milhões para 8,36 milhões, e 2,2% no mercado doméstico, de 88,68 milhões para 90,63 milhões. A demanda proveniente das faixas de maior renda parece ter sido decisiva para a recuperação do setor.

A ocupação das aeronaves atingiu, em média, 81,5%, com crescimento de 1,8% em relação a 2016. Esse porcentual foi de 84,8% nos voos internacionais, maior nível da série histórica iniciada em 2000.

Quanto ao transporte aéreo de carga, o crescimento foi de 1,8%, com forte avanço em dezembro de 2017, quando o aumento foi de 7,9% em relação a dezembro de 2016.

Os números do transporte aéreo são compatíveis com o avanço dos gastos com turismo indicado nas contas externas. Segundo o Banco Central, o déficit com viagens internacionais passou de US$ 8,5 bilhões em 2016 para US$ 13,2 bilhões em 2017 e está previsto em US$ 17,3 bilhões em 2018, sendo um dos itens do balanço de pagamentos que apresentam maior crescimento.

O aumento da demanda de transporte aéreo põe à prova a qualidade da infraestrutura do setor, que enfrentou, no passado, situações críticas quanto ao atendimento dos viajantes.

Em 2017, a falta de investimentos não afetou tanto os passageiros como nos tempos em que a economia crescia rapidamente. Mas a retomada forte da demanda em 2018 exigirá a aplicação de mais recursos no setor, muito além dos previstos nos processos de concessão dos aeroportos de Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e Fortaleza, de R$ 1,1 bilhão neste ano.

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