A recuperação da demanda de bens industriais

A demanda interna de bens industriais cresceu 0,5% em abril, na comparação com o mês anterior, de acordo com o indicador de consumo aparente da indústria elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgado em sua Carta de Conjuntura

O Estado de S.Paulo

13 Junho 2017 | 03h07

A demanda interna de bens industriais cresceu 0,5% em abril, na comparação com o mês anterior, de acordo com o indicador de consumo aparente da indústria elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgado em sua Carta de Conjuntura. É mais um sinal de recuperação da atividade industrial, que foi fortemente comprimida ao longo da recessão iniciada em 2014. No entanto, da mesma forma que outros indicadores, o do Ipea mostra a fragilidade da recuperação, pois os setores industriais não se comportam de maneira homogênea e, dependendo do critério de comparação, sobretudo quando cotejado com dados de um ano antes, o resultado pode ser negativo.

Assim, na comparação com abril de 2016, foi constatada redução de 4,7% na demanda, o que interrompeu uma sequência de quatro meses de crescimento. Embora o acumulado de 12 meses continue sendo menor do que o do período imediatamente anterior, o ritmo da queda vem diminuindo há nove períodos de comparação. Passou de 4,6% nos 12 meses encerrados em março para 4,2% no período terminado em abril. Outro dado relevante da pesquisa do Ipea é a melhora gradual das importações, tanto de máquinas, insumos e bens finais, o que, em média, mostra um cenário melhor para a atividade industrial.

O indicador do Ipea é definido pela produção industrial doméstica acrescida das importações e excluídas as exportações. Por classe de produção, o indicador mostrou aumento de 4,4% na indústria extrativa, enquanto a indústria de transformação se manteve praticamente estável, com pequena redução de 0,2% em abril na comparação com março.

Na indústria de transformação, entre 22 atividades avaliadas, 12 registraram alta, o que levou o índice de difusão para 55%. Das atividades de maior peso, as que mais contribuíram para o aumento da demanda interna em abril foram as de produção de alimentos (aumento de 2,5%) e de máquinas e equipamentos (mais 4,7%).

A indústria automobilística teve influência negativa nos resultados de abril. De acordo com o Ipea, o consumo aparente de veículos caiu 0,7% em relação a março. Dados da associação das montadoras, a Anfavea, mostram, de fato, que as vendas em abril foram 3,7% menores e as exportações caíram 14,2%. Dados mais recentes, porém, mostram reversão desses números.

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